Mostrando postagens com marcador Qualidade de Vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Qualidade de Vida. Mostrar todas as postagens

domingo, 5 de janeiro de 2014

O homem que vive com apenas 15 objetos.




Esta é uma atitude que a maioria das pessoas talvez nunca adotarão, e, por ter um apelo muito moderno em relação ao desperdício de recursos existente por todo o planeta e a angústia humana em possuir coisas, inspira e deixa o bom exemplo.

De acordo com o Dicionário Aurélio, o termo consumismo significa paixão por comprar.
Essa paixão se expressa como uma tendência a comprar desenfreadamente. Muitas pessoas gostam de exibir e esbanjar seus estilos de vida extravagantes, casas luxuosas, grandes coleções de carros ou sapatos e assumem serem consumistas compulsivas.

O outro lado da moeda também é igualmente interessante. Como viver com coisas tão básicas que todos os seus pertences caibam dentro de apenas uma mochila?

Andrew Hyde é alguém que se tornou popular por ter esse estilo de vida desapegado de todos os seus bens materiais. O norte-americano do estado do Colorado, vendeu sua casa em maio de 2010, e desde então possui apenas 15 coisas (sem contar meias e cuecas).

Hyde não se considera um sem-teto, pobre ou desempregado. Na verdade, o rapaz é um magnata do mercado da alta tecnologia, ele trabalha como consultor e mentor de pequenas empresas, é fundador da startup Weekend e organizador da conferência TEDxBoulder.

Como ele viaja muito, Hyde decidiu resumir todos os seus pertences em 15 itens onde os guarda em uma mochila laranja que leva para qualquer lugar. Desde então, já visitou 32 países.

Andrew diz ter se interessado no conceito de minimalismo, começando pela experiência de possuir a princípio apenas 100 itens. No entanto, em agosto de 2010, ele levou essa ideia mais a sério e vendeu todos os seus pertences restantes, sobrando apenas 15 itens.

Embora tenha pouquíssimos objetos, Andrew admite que alguns deles são um luxo, como por exemplo sua escova de dente elétrica, seu laptop e Iphone para o trabalho de freelance. Ele disse que foi forçado a adicionar três camisas xadrez e um chapéu de cowboy para a sua pequena coleção depois de ter trabalhado por uma temporada em um rancho. 

Além disso, ele comprou um terno, camisa, gravata e sapatos “decentes”, para usar quando ele fez um discurso em uma conferência.

Veja os itens essenciais de Andrew:



1 – Mochila
2 – Camisa
3 – Capa de chuva
4 – Camiseta
5 – Short de corrida
6 – Toalha
7 – Casaco de lã
8 – Kit de Higiene Pessoal
9 – Óculos de sol
10 – Carteira
11 – Laptop
12 - Iphone
13 – Tênis de corrida
14 – Calça
15 - Paletó

A lista só exclui meias e cuecas. Tendo um número tão limitado de roupas, Andrew elimina todo o tempo desperdiçado em escolher o que vestir. Ele simplesmente acorda de manhã e coloca a camisa ou camiseta que não usou no dia anterior.

Em um mundo onde a mulher em média é dona de 20 pares de sapatos, e as pessoas vivem sozinhas em grandes mansões, Hyde certamente consegue ser um exemplo de como é possível ser feliz com muito pouco. E você, já arrumou seus armários nesse começo de ano?



Fonte: Ecouterre - Foto: Divulgação

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Como você consome comida e conteúdo?























O melhor jeito de entender nosso consumo atual de conteúdo é usando o outro tipo de consumo que já conhecemos melhor: o consumo de alimentos. O conceito de nutrição, valendo não apenas pelo o que entra pela boca, mas sim por todos os sentidos.

Não tem arquiteto de informação?


Pois eu acho que deveria ter, urgentemente, nutricionista de conteúdo.
Confira nos onze itens abaixo a analogia simples e direta sobre as conexões que realizamos diariamente para tudo que "engolimos":

01.


Nutrição é a transformação de alimentos em energia para manter nosso corpo funcionando e em atividade.

Nutrição mental é a transformação de conteúdos em repertório para manter nosso cérebro funcionando e em atividade.

02.

Os nutrientes dos alimentos são o combustível para manter nosso corpo em movimento.

Os nutrientes dos conteúdos são o combustível para manter nosso cérebro em raciocínio.

03.

Alimentos (vegetais, frutas, carnes, etc) podem ser classificados como melhor ou pior, dependendo do seu valor nutritivo para o corpo.

Conteúdos (livros, filmes, posts, tweets, facebooks, fotos, etc) podem ser classificados como melhor ou pior, dependendo do seu valor nutritivo para o cérebro.

04.

O critério mais básico na escolha de alimentos é o “gosto/não gosto” (palatabilidade)

O critério mais básico na escolha de conteúdo é o “like/don’t like” (opinabilidade)

05.

Já percebemos a relação direta entre a escolha dos alimentos e a saúde do corpo. Sabemos que precisamos ser mais criteriosos do que um simples ”gosto/não gosto”

Ainda não percebemos a relação direta entre a escolha dos conteúdos e a saúde mental. Não sabemos ainda que precisamos ser mais criteriosos que um simples “like/don’t like”

06.

Diferentes alimentos, diferentes nutrientes, diferentes estados corporais. Meia hora depois de uma salada é diferente de meia hora depois de um churrasco.

Diferentes conteúdos, diferentes nutrientes, diferentes estados mentais. Meia hora depois de um telejornal é diferente de meia hora depois de um filme no cinema.

07.

A transformação de alimentos em energia é chamada de metabolismo e seu resultado é um corpo ativo e hábil. Os maiores benefícios são pessoais.

A transformação de conteúdos em sabedoria é chamada de raciocínio e seu resultado é uma mente pensante, criativa, inspiradora e transformadora. Os maiores benefícios são coletivos.

08.

O sistema digestório de alimentos usa a retenção ou excreção do que foi consumido usando o critério nutritivo. Tem nutriente, fica. Não tem, sai.

O sistema digestório de conteúdos usa a retenção ou esquecimento do que foi consumido usando o critério emocional. Tem emoção, lembra. Não tem, esquece.

09.

Nossa atual consciência da importância de uma dieta alimentar saudável e balanceada é razoável. É factual, mensurável e universal.

Nossa atual consciência da importância de uma dieta de conteúdo saudável é muito pobre. É abstrata, não mensurável e pessoal.

10.

O consumo de alimentos inadequado tem evidências rápidas e visíveis: ficamos gordos. Existem ferramentas e medidas que comparam com padrões ideias e comprovam facilmente a inadequação (balança, exames laboratoriais, etc). A médio prazo o corpo adoece como forma de aviso. A experiência é intensa e a curva de aprendizado e a eventual correção são rápidas.

O consumo de conteúdo inadequado não tem evidências rápidas nem explícitas: nosso repertório, valores e raciocínios pioram lentamente mas como são abstratos não existem ferramentas ou medidas que comparem com padrões ideias e possam comprovar a inadequação. A experiência é sutil e o aprendizado e eventual correção são praticamente nulos.

11. 


A consciência de que o consumo alimentar tem mais a ver com qualidade do que quantidade é alta.

A consciência de que o consumo de conteúdo tem mais a ver com qualidade do que quantidade é baixa. 
O resumo, personificado
Dada a chance para uma criança escolher seu consumo, a escolha é pelo gosto: o açucarado, o gorduroso.

Pois somos crianças gordas e doentes, alimentando uns aos outros apenas com chocolates, até vomitarmos, para podermos continuar comendo mais chocolates. Quanto mais gostoso o chocolate que você divide, mais amado e celebrado você é.

Seus chocolates são os mais disputados.
Você fica convencido que seus chocolates são mesmo os melhores e passa a consumir apenas os seus também. O dos outros, pela lógica da popularidade, são piores. A menos que fiquem mais populares que os seus, quando então você passa a consumi-los também.

Com o tempo você vai ficando tão gordo, mas tão gordo, que ninguém consegue se aproximar por causa da circunferência da sua barriga, feita a base de chocolates. Você fica solitário. Todos ficam gordos e as circunferências se tocam porque vão ocupando todo o espaço, mas as cabeças se isolam. No final somos um enorme grupo de crianças morbidamente gordas, todas em contato, mas com as cabeças isoladas. 
Comendo chocolates e vomitando sem parar.
Esse cenário so vai mudar quando os males ficarem evidentes e as próximas gerações aprenderem com os erros desta.
Nosso desafio atual em relação a conteúdo equivale ao auto-controle de uma criança solta no Walmart e livre para consumir o que quiser.

Estamos comendo no McDonald’s da internet todos os dias.

Fonte: Wagner Brenner / Update or Die.