sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Como você consome comida e conteúdo?























O melhor jeito de entender nosso consumo atual de conteúdo é usando o outro tipo de consumo que já conhecemos melhor: o consumo de alimentos. O conceito de nutrição, valendo não apenas pelo o que entra pela boca, mas sim por todos os sentidos.

Não tem arquiteto de informação?


Pois eu acho que deveria ter, urgentemente, nutricionista de conteúdo.
Confira nos onze itens abaixo a analogia simples e direta sobre as conexões que realizamos diariamente para tudo que "engolimos":

01.


Nutrição é a transformação de alimentos em energia para manter nosso corpo funcionando e em atividade.

Nutrição mental é a transformação de conteúdos em repertório para manter nosso cérebro funcionando e em atividade.

02.

Os nutrientes dos alimentos são o combustível para manter nosso corpo em movimento.

Os nutrientes dos conteúdos são o combustível para manter nosso cérebro em raciocínio.

03.

Alimentos (vegetais, frutas, carnes, etc) podem ser classificados como melhor ou pior, dependendo do seu valor nutritivo para o corpo.

Conteúdos (livros, filmes, posts, tweets, facebooks, fotos, etc) podem ser classificados como melhor ou pior, dependendo do seu valor nutritivo para o cérebro.

04.

O critério mais básico na escolha de alimentos é o “gosto/não gosto” (palatabilidade)

O critério mais básico na escolha de conteúdo é o “like/don’t like” (opinabilidade)

05.

Já percebemos a relação direta entre a escolha dos alimentos e a saúde do corpo. Sabemos que precisamos ser mais criteriosos do que um simples ”gosto/não gosto”

Ainda não percebemos a relação direta entre a escolha dos conteúdos e a saúde mental. Não sabemos ainda que precisamos ser mais criteriosos que um simples “like/don’t like”

06.

Diferentes alimentos, diferentes nutrientes, diferentes estados corporais. Meia hora depois de uma salada é diferente de meia hora depois de um churrasco.

Diferentes conteúdos, diferentes nutrientes, diferentes estados mentais. Meia hora depois de um telejornal é diferente de meia hora depois de um filme no cinema.

07.

A transformação de alimentos em energia é chamada de metabolismo e seu resultado é um corpo ativo e hábil. Os maiores benefícios são pessoais.

A transformação de conteúdos em sabedoria é chamada de raciocínio e seu resultado é uma mente pensante, criativa, inspiradora e transformadora. Os maiores benefícios são coletivos.

08.

O sistema digestório de alimentos usa a retenção ou excreção do que foi consumido usando o critério nutritivo. Tem nutriente, fica. Não tem, sai.

O sistema digestório de conteúdos usa a retenção ou esquecimento do que foi consumido usando o critério emocional. Tem emoção, lembra. Não tem, esquece.

09.

Nossa atual consciência da importância de uma dieta alimentar saudável e balanceada é razoável. É factual, mensurável e universal.

Nossa atual consciência da importância de uma dieta de conteúdo saudável é muito pobre. É abstrata, não mensurável e pessoal.

10.

O consumo de alimentos inadequado tem evidências rápidas e visíveis: ficamos gordos. Existem ferramentas e medidas que comparam com padrões ideias e comprovam facilmente a inadequação (balança, exames laboratoriais, etc). A médio prazo o corpo adoece como forma de aviso. A experiência é intensa e a curva de aprendizado e a eventual correção são rápidas.

O consumo de conteúdo inadequado não tem evidências rápidas nem explícitas: nosso repertório, valores e raciocínios pioram lentamente mas como são abstratos não existem ferramentas ou medidas que comparem com padrões ideias e possam comprovar a inadequação. A experiência é sutil e o aprendizado e eventual correção são praticamente nulos.

11. 


A consciência de que o consumo alimentar tem mais a ver com qualidade do que quantidade é alta.

A consciência de que o consumo de conteúdo tem mais a ver com qualidade do que quantidade é baixa. 
O resumo, personificado
Dada a chance para uma criança escolher seu consumo, a escolha é pelo gosto: o açucarado, o gorduroso.

Pois somos crianças gordas e doentes, alimentando uns aos outros apenas com chocolates, até vomitarmos, para podermos continuar comendo mais chocolates. Quanto mais gostoso o chocolate que você divide, mais amado e celebrado você é.

Seus chocolates são os mais disputados.
Você fica convencido que seus chocolates são mesmo os melhores e passa a consumir apenas os seus também. O dos outros, pela lógica da popularidade, são piores. A menos que fiquem mais populares que os seus, quando então você passa a consumi-los também.

Com o tempo você vai ficando tão gordo, mas tão gordo, que ninguém consegue se aproximar por causa da circunferência da sua barriga, feita a base de chocolates. Você fica solitário. Todos ficam gordos e as circunferências se tocam porque vão ocupando todo o espaço, mas as cabeças se isolam. No final somos um enorme grupo de crianças morbidamente gordas, todas em contato, mas com as cabeças isoladas. 
Comendo chocolates e vomitando sem parar.
Esse cenário so vai mudar quando os males ficarem evidentes e as próximas gerações aprenderem com os erros desta.
Nosso desafio atual em relação a conteúdo equivale ao auto-controle de uma criança solta no Walmart e livre para consumir o que quiser.

Estamos comendo no McDonald’s da internet todos os dias.

Fonte: Wagner Brenner / Update or Die.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

"Tecnologia e religião" ou "tecnologia é religião"?

Durante a última década, houve um grande aumento na quantidade de produtos eletrônicos que começaram a rodear a nossa vida diária. Produtos como relógios, óculos, camisetas e fones de ouvido estão sendo equipados com sensores inteligentes para coletar informações sobre a nossa rotina mundana, nossa saúde, nosso estilo de vida e até a nossa personalidade, gerando uma grande noção de como nossa mente e corpo trabalham. Esta vasta abordagem de informação, traz novas formas de como perceber o mundo e forja novas e íntimas interações entre os usuários dos produtos e as suas informações neles contidas. 

Uma das questões sobre a nova realidade tecnológica que vivemos é o surgimento de um novo tipo de cultura que gira em torno do poder da informação.

De acordo com o estudo da The Curve Report, 88% da geração X (inclui as pessoas nascidas a partir do início dos anos 1960 até o final dos anos 1970, podendo alcançar o início dos anos 1980, sem contudo ultrapassar 1984.) e Y (nascidos após 1980 e, segundo outros, de meados da década de 1970 até meados da década de 1990) concordam que o rastreamento e documentação que acontecem nos web sites e aparelhos, os ajudam a serem mais conscientes de si mesmos. Já 64% desses dois grupos dizem que a tecnologia transforma-os em melhores pessoas. E, adicionalmente, 81% dizem que a tecnologia ajuda-os a entender melhor o mundo de uma maneira mais ampla. Isto soa como uma procura por sentido na existência dessas duas gerações e, elas acreditam que a informação e a tecnologia podem prover isto.

Esta nova fé está se transformando em uma nova religião por si só. Ao passo que mais e mais pessoas estão adotando a tecnologia para responder questões maiores. Aproveitando esta oportunidade, marcas estão ajudando consumidores a encontrar um certo nível de esclarecimento e fornecem ferramentas para essas pessoas visualizarem seus conteúdos de formas significativas.

65% das gerações X e Y acreditam que a crença pessoal será mais relevante que a igreja há 10 anos atrás e 60% dizem que utilizam o mecanismo de busca Google apara ajudá-los a encontrarem respostas sobre a vida. As novas gerações quando diante de problemas existenciais, estão encontrando em seus próprios conteúdos pessoais apresentados sobre novas lentes e métricas, um nível maior de consciência sobre nossa existência.


Poderia a tecnologia em si, se transformar numa nova forma de conexão com o sagrado? Não cabe a nós responder. Só vale raciocinar.

Fonte: The Curve Report from NBCUniversal.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

10 de dezembro, Dia Mundial dos Direitos Humanos.






Os direitos humanos são direitos inerentes a todos os seres humanos,
independentemente de raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição.

Os direitos humanos incluem o direito à vida e à liberdade, à liberdade de opinião e de expressão, o direito ao trabalho e à educação, entre e muitos outros. Todos merecem estes direitos, sem discriminação.
O Direito Internacional dos Direitos Humanos estabelece as obrigações dos governos de agirem de determinadas maneiras ou de se absterem de certos atos, a fim de promover e proteger os direitos humanos e as liberdades de grupos ou indivíduos.

Desde o estabelecimento das Nações Unidas, em 1945, um de seus objetivos fundamentais tem sido promover e encorajar o respeito aos direitos humanos para todos, conforme estipulado na Carta das Nações Unidas:


“Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta da ONU, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor do ser humano e na igualdade de direitos entre homens e mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla, … a Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações…” (p
reâmbulo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948)

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) é um documento marco na história dos direitos humanos. Elaborada por representantes de diferentes origens jurídicas e culturais de todas as regiões do mundo, a Declaração foi proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em Paris, em 10 de Dezembro de 1948, através da Resolução 217 A (III) da Assembleia Geral como uma norma comum a ser alcançada por todos os povos e nações. Ela estabelece, pela primeira vez, a proteção universal dos direitos humanos.

Desde sua adoção, em 1948, a DUDH foi traduzida em mais de 360 idiomas – o documento mais traduzido do mundo – e inspirou as constituições de muitos Estados e democracias recentes. A DUDH, em conjunto com oPacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e seus dois Protocolos Opcionais (sobre procedimento de queixa e sobre pena de morte) e com o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais e seuProtocolo Opcional, formam a chamada Carta Internacional dos Direitos Humanos.

Uma série de tratados internacionais de direitos humanos e outros instrumentos adotados desde 1945 expandiram o corpo do direito internacional dos direitos humanos. Eles incluem a Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio (1948), a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (1965), a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (1979), a Convenção sobre os Direitos da Criança (1989) e a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (2006), entre outras.

As Nações Unidas trabalham ativamente para definir, monitorar e ajudar os Estados-Membros a implantarem as normas internacionais dos direitos humanos. O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) é responsável por liderar a promoção e a proteção dos direitos humanos, e implementar os programa de direitos humanos dentro da ONU.

O Conselho de Segurança da ONU, que tem como principal responsabilidade a manutenção da paz e da segurança internacionais, também lida com graves violações dos direitos humanos, como o uso de crianças como soldados (Resolução 1612, 2005) e o uso do estupro como arma de guerra (Resolução 1820, 2008).

Desde 1948 a Assembleia Geral já adotou cerca de 80 tratados e declarações de direitos humanos. Como aDeclaração sobre os Defensores Direitos Humanos (1998) e a Declaração sobre os Direitos dos Povos Indígenas (2007).

A cada ano, a Comissão da Assembleia Geral para Assuntos Sociais, Culturais e Humanitários analisa uma série de assuntos, incluindo questões de direitos humanos. A Comissão ouve relatos de especialistas em direitos humanos e discute o avanço das mulheres, a proteção das crianças, questões indígenas, o tratamento dos refugiados, a promoção das liberdades fundamentais através da eliminação do racismo e da discriminação racial, e a promoção do direito à autodeterminação.

Mecanismos de direitos humanos estabelecidos pela ONU monitoram a implementação das normas de direitos humanos no mundo todo. Eles incluem o Conselho de Direitos Humanos, os “Procedimentos Especiais”, com mandatos temáticos ou específicos de cada país e o núcleo dos tratados dos organismos de direitos humanos.

O Conselho de Direitos Humanos, estabelecido pela Assembleia Geral em 15 de março de 2006, e respondendo diretamente a ela, substituiu a Comissão sobre os Direitos Humanos da ONU, que existiu por 60 anos, como o órgão inter-governamental chave da ONU responsável pelos direitos humanos. O Conselho é formado por 47 Estados e é encarregado de fortalecer a promoção e a proteção dos direitos humanos em todo o mundo, solucionando situações de violações dos direitos humanos e fazendo recomendações sobre elas, incluindo a resposta às emergências. Através do mecanismo da Revisão Periódica Universal, o Conselho avalia a situação dos direitos humanos em todos os 192 Estados-Membros da ONU. Ele também trabalha em estreita colaboração com os Procedimentos Especiais da ONU, estabelecidos pela ex-Comissão sobre os Direitos Humanos.

Celebre esta data refletindo sobre o amplo conceito dos direitos humanos. Faça sua parte. Como cidadão, como ser humano, como alma em evolução.

Fonte: http://www.onu.org.br

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Está na hora de dizer sim.

Nem sempre o final é como esperamos. Mas isso não quer dizer que não é final feliz. Aproveite o vídeo!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Se você for capaz de entrar em contato com seu verdadeiro eu, a consciência não tem limites.

Depoimento de um médico em uma visão espiritualista, que pode servir de lembrete para todos nós, diante de problemas pessoais e crises, onde é apresentada uma abordagem simples e baseada na expansão do ser humano no que lhe é mais próprio, isto é, a sua consciência. 
“Desde meus primeiros dias como médico, isso há quarenta anos, as pessoas me pedem respostas. O que elas queriam era um tratamento médico, mas o apoio e o conforto trazidos pelo contato humano também eram importantes, talvez até mais. A menos que o médico esteja completamente desiludido, ele se vê como um salvador rude, mas eficaz, livrando as vítimas do perigo e deixando-as com uma sensação de segurança e bem-estar.
Agradeço por todos os meus anos de contato com pacientes, pois aprendi a diferença entre conselhos e soluções. Pouquíssimas vezes os conselhos ajudam as pessoas que estão com problemas. As crises não esperam; algo muito ruim acontecerá se a solução correta não for encontrada.
Mantive essa mesma atitude ao escrever este livro, cuja ideia começou com pessoas me escrevendo sobre seus problemas. As cartas chegavam de todas as partes do mundo; a certa altura, respondia diária ou semanalmente a perguntas vindas da Índia, dos Estados Unidos e de muitos outros locais, a maioria pela internet. No entanto, de certa forma, todos escreviam de um mesmo lugar dentro deles: onde a confusão e a escuridão lhes havia oprimido. Essas pessoas se sentiam feridas, traídas, maltratadas, incompreendidas, enfermas, preocupadas, apreensivas e, às vezes, desesperadas. Infelizmente, essa é a condição humana, quase de modo permanente, para algumas pessoas, mas é sempre possível, em um dado momento, que tais sentimentos atinjam pessoas que estão felizes e contentes.
Eu queria dar respostas duradouras, para que quando o “dado momento” chegasse, quando a crise surgisse e um desafio tivesse de ser enfrentado, soluções sólidas estivessem à mão. Denomino essas respostas “soluções espirituais”, mas isso não quer dizer soluções religiosas, orações ou entregar a vida nas mãos de Deus. Em vez disso, visualizo uma espiritualidade secular: a única maneira pela qual as pessoas modernas se conectarão com suas almas – ou, eliminando todas as insinuações religiosas, seus “verdadeiros eus”.
Como uma crise o afetou? Independentemente da situação, você retrocedeu, se contraiu e ficou refém da ansiedade. Esse estado de contração da consciência impossibilita encontrar uma solução. As soluções reais para uma crise vêm da consciência expandida. A sensação deixa de ser de aperto e medo. Os limites cedem; ideias novas têm espaço para se desenvolver. Se você for capaz de entrar em contato com seu verdadeiro eu, a consciência não tem limites. Desse lugar, as soluções emergem de forma espontânea, e funcionam. Com frequência, funcionam como mágica, e os obstáculos que pareciam imutáveis se dissolvem. Quando isso acontece, a carga de ansiedade e aflição é removida por completo. O propósito da vida nunca foi ser uma luta, mas expandir-se, a partir de sua fonte, em pura consciência.”
Uma nota pessoal, de Deepak Chopra em “O Poder da consciência”.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Matéria da Folha de S.Paulo destaca Robson Pinheiro como sucesso editorial espírita.










Matéria publicada na Folha de S.Paulo de 2/11/13. Fonte:


O espírito do sucesso

Biografia de Allan Kardec, fundador do espiritismo, chega às livrarias para repetir fenômeno atingido com a história do médium Chico Xavier, que vendeu um milhão de livrosRAQUEL COZERCOLUNISTA DA FOLHA

Allan Kardec vai aparecer perto de você nos próximos dias --na TV, nas rádios, no metrô, na internet e, acima de tudo, nas livrarias.

A exposição da imagem do fundador do espiritismo faz parte de uma forte ação de marketing da editora Record, que distribui 100 mil cópias de "Kardec: A Biografia", de Marcel Souto Maior.

É uma aposta alta para um grupo editorial cujo maior best-seller no quesito biografias vendeu 64 mil cópias -- foi com "A Arte da Política "" A História que Vivi" (Civilização Brasileira, 2006), de Fernando Henrique Cardoso.

A biografia anterior escrita por Souto Maior, "As Vidas de Chico Xavier" (LeYa), sobre o médium brasileiro, teve cerca de 1 milhão de cópias vendidas e originou o filme "Chico Xavier", visto por mais de 3 milhões de pessoas.

O novo biografado, o francês Allan Kardec (1804-1869), é ele próprio um best-seller. Vendeu mais de 11 milhões de livros no Brasil, considerados só os números da maior editora do gênero, a Federação Espírita Brasileira. Há 120 casas espíritas no país, todas aptas a publicar "O Livro dos Espíritos" e outras obras do autor, em domínio público.

E a biografia que sai agora também vai virar filme, previsto para 2015, sob direção de Wagner de Assis.

Com o lançamento, a Record foca em especial o público leigo, menos afeito a uma história conhecida dos adeptos do espiritismo, mas tateia nicho promissor.

Embora só 2% (3,8 milhões) da população brasileira se diga espírita, segundo o Censo de 2010, simpatizantes das notícias post-mortem são 50 milhões, segundo a Federação Espírita Brasileira.

E, mesmo considerando só os 2% de espíritas --ante 64% de católicos (123 milhões) e 22% de evangélicos (42,5 milhões)-- eles representam o segmento religioso com os mais altos índices de educação e renda. Têm hábito de comprar mais livros --e pagar mais por eles.

MAIS VENDIDOS

Levantamento feito a pedido da Folha pela Nielsen, que começou a monitorar as vendas de livros no Brasil neste ano, dá a dimensão disso.

Presente em nove países com a pesquisa em livrarias, a empresa americana optou pela contagem da venda de títulos espíritas só no Brasil, único país em que a doutrina se firmou como religião.

O levantamento abrange a comercialização dos últimos quatro meses pelas maiores redes do país.

Considerado só o faturamento com a venda de livros religiosos, os títulos espíritas correspondem a 32,63%, à frente dos católicos (31,79%) e dos evangélicos (19,92%).

O que explica o fato de uma religião com menos adeptos liderar o faturamento desse setor são os preços dos livros espíritas: custam em média R$ 29,13, ante R$ 17,19 dos católicos e R$ 21,21 dos evangélicos.

Também impulsiona essas vendas outro fenômeno nacional, os romances psicografados por nomes Zibia Gasparetto, Robson Pinheiro e Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho, que circulam aos milhões --isso, vale fazer a ressalva, num cenário em que os únicos números totais conhecidos são os divulgados pelas próprias editoras.

Esses autores vendem tão bem hoje que ficam à frente de Chico Xavier (1910-2002) na contagem da Nielsen. Ocupam, respectivamente, o primeiro, o terceiro e o quarto lugar em vendas. Com 16 milhões de livros vendidos, Zibia Gasparetto, 87, deixa para trás até Kardec, em segundo lugar na lista.

OS REIS DA PSICOGRAFIA


ROBSON PINHEIRO, 52
34 livros em 18 anos, com 1,2 milhão de exemplares
ESPÍRITOS Angelo Inacio teria sido jornalista em outra vida; Joseph Gleber se comunica em português com sotaque alemão
BEST-SELLER "Tambores de Angola", com 179 mil exemplares

VERA LÚCIA MARINZECK DE CARVALHO, 65
Quase 60 livros em 23 anos, com 3,5 milhões de exemplares por sua principal editora, a Petit
ESPÍRITO Antonio Carlos ditou a maior parte; Patrícia é responsável pelos maiores hits
BEST-SELLER "Violetas na Janela", com 2 milhões de exemplares

MARCELO CEZAR, 46
14 livros em 13 anos, com 1,5 milhão de exemplares
ESPÍRITO Marco Aurélio, que teria sido escritor famoso em outra encarnação, mas prefere não divulgar
BEST-SELLER "O Amor É para os Fortes", com 260 mil exemplares

ZIBIA GASPARETTO, 87
45 livros em 55 anos, com 16 milhões de exemplares
ESPÍRITO Lucius, desde sempre; o nome vem aparecendo em obras de outros médiuns, mas, segundo Zibia, deve ser outro
BEST-SELLER "Ninguém é de Ninguém", com 865 mil exemplares


Nos livros, espíritos célebres deram lugar a anônimos

Lucius e Patrícia seriam as almas que ditam best-sellers do mercado espírita, liderado por Zibia Gasparetto

Autora mais vendida no gênero da psicografia diz que outros usam o nome do espírito que ela recebe sem razão

DA COLUNISTA DA FOLHA

No tempo de Allan Kardec, espíritos como os de Santo Agostinho e Sócrates teriam ajudado a escrever "O Livro dos Espíritos" (1857). Hoje os best-sellers do gênero são ditados por nomes insuspeitos como Lucius e Patrícia.

Essa mudança de perfil é vista por editores como decorrente das necessidades de cada período do espiritismo.

"Kardec desenvolvia uma ciência, aqueles espíritos elevados eram necessários. No Brasil, a doutrina ganhou viés místico. Os espíritos são coerentes com a nova realidade, dão mensagens de conforto", diz o editor Leonardo Möller, da Casa dos Espíritos.

A editora publica best-sellers como "Tambores de Angola", que seriam ditados por Ângelo Inácio e psicografados por Robson Pinheiro.

Ângelo, segundo Pinheiro, foi um jornalista na última encarnação, mas prefere usar o pseudônimo para não chamar a atenção de parentes.

Reginaldo Prandi, autor de "Os Mortos e os Vivos -- Uma Introdução ao Espiritismo" (Três Estrelas), acredita que a discrição dos espíritos hoje decorre tanto do fato de a doutrina já ter se firmado quanto de uma precaução.

"Houve processos por direitos autorais, com familiares dizendo: Se usa o nome do meu avô, tem de pagar'."

Um caso famoso foi vivido por Chico Xavier, que psicografou vários textos do cronista Humberto de Campos (1886-1934) até ser processado pelos herdeiros.

Na ocasião, o juiz concluiu que só podia avaliar direitos autorais de obras produzidas em vida, mas, por prudência, Xavier passou a identificar o espírito como "Irmão X".

Um desenrolar curioso dessa história envolve Zibia Gasparetto. Meio século depois de ela lançar "O Amor Venceu", que teria sido ditado por Lucius, o nome do espírito passou a figurar em livros de outros médiuns como "Exilados por Amor" (Vivaluz), de Sandra Carneiro.

"Não é o mesmo Lucius", informa Zibia. "Ele diz que não tem tempo, que trabalha só comigo mesmo."

Sandra Carneiro diz que seu Lucius deixa para o leitor concluir se é ou não o mesmo que acompanha Zibia..

Mesmo o fundador da doutrina teve de lidar com questões envolvendo créditos, como conta Marcel Souto Maior na biografia "Kardec".

Embora tenha listado na primeira edição de "O Livro dos Espíritos" os desencarnados que ajudaram no trabalho, Kardec deixou os nomes dos médiuns envolvidos de fora. Causou ciumeira.

Para Souto Maior, esse foi o menor dos desafios que o francês teve de enfrentar.

Como lidava com uma doutrina que envolvia fenômenos sobrenaturais, sua batalha por toda a vida foi a de mostrar como no centro de tudo estava não o milagre, mas a solidariedade --até hoje, a maior parte das editoras espíritas doa direitos autorais a instituições de caridade.


KARDEC - A BIOGRAFIA
AUTOR Marcel Souto Maior
EDITORA Record
QUANTO R$ 39 (322 págs.)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Filme de Chico Xavier feito por Nelson Pereira dos Santos é encontrado na FEB.

Um pequeno grande filme de Chico Xavier.
Pesquisadores espíritas estão constantemente tentando localizar mensagens inéditas de Chico Xavier para serem publicadas em novos livros, além de documentários e filmes com imagens igualmente inéditas do tão querido médium mineiro e que muitas vezes estão guardados em arquivos públicos, instituições espíritas ou nas mãos de particulares. E a colheita tem sido farta! A grande quantidade de mensagens, documentários, imagens de Chico Xavier e participação em programas de televisão que apareceram nos últimos anos só fazem confirmar que há ainda muito material inédito a ser encontrado, representando um amontoado de trabalho para quantos pesquisadores que se dedicam a garimpar as pérolas de luz daquele inesquecível exemplo de candura, de bondade e de amor que foi Chico Xavier.

Foi nessa incansável labuta que foi localizado na Federação Espírita Brasileira um pequeno filme de Chico Xavier, com não menos de onze minutos, mas que emociona e enternece os corações daqueles que amam Chico Xavier e que se espelham nos seus incomparáveis exemplos de vida, semeando o amor do seu imenso coração e praticando como poucos os exemplos de Jesus.
O filme foi feito para Caixa de Pecúlio dos Militares (CAPEMI) e as imagens são do genial Nelson Pereira dos Santos, um dos maiores cineastas brasileiros, datando as mesmas dos primeiros anos da década de setenta. Há ainda muito mistério em torno desse filme, por ele não estar catalogado, por não se saber a data certa. Mas esses são detalhes. Neste caso, mais do que os detalhes valem as imagens maravilhosas de Chico Xavier que o filme apresenta. Elas certamente farão com que todos aqueles que amam Chico Xavier se sintam profundamente recompensados.

Por fim, deixamos a nossa gratidão ao Professor Cesar Reis, Diretor Presidente da CAPEMISA, que, sem burocracias e delongas nos cedeu uma cópia do filme, ciente que a melhor divulgação do Espiritismo é a sua própria essência de pureza, de fraternidade e de solidariedade.

João Marcos Weguelin

Fonte: http://jornalggn.com.br/blog/manoel-fernandes-neto-novaeinfbr/filme-de-chico-xavier-feito-por-nelson-pereira-dos-santos-e-encontrado-na-feb#.UnjG7Uw8EfE.twitter


terça-feira, 15 de outubro de 2013

Lição do ego: 7 passos para tentar se libertar.




Hoje em dia é difícil encontrar alguém que não diga que está em meio à correria. Essa vida não deve ser mais atordoada do que já está. Imagine então, se insistirmos em não cuidarmos bem de nós mesmos...
Seremos engolidos por nossa ansiedade e resistência em evoluirmos espiritualmente.
Aqui estão 7 passos para praticar diariamente e alcançar o domínio de si próprio. Liberte-se e liberte o outro:

1. Não se sentir ofendido;

2. Liberte-se da necessidade de ganhar;

3. 
Liberte-se da necessidade de ter a razão;

4. 
Liberte-se da necessidade de ser superior;

5. 
Liberte-se da necessidade de ter mais;

6. 
Liberte-se da necessidade de se identificar com seus êxitos;

7. 
Liberte-se da necessidade de ter fama.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Como parar de jogar sua raiva nos outros.


por Marta Beck
ilustração Dan Page

O que você faz quando está com raiva? Descarrega em uma pessoa que está passando ao seu lado?
Você sai do seu escritório e vai até a casa de seus pais. Sua mãe sofre de Alzheimer, e seu pai recentemente quebrou o quadril. Você se esforçou o quanto deu para ficar bem e passar o seu melhor para eles nesta tarde, mas ao chegar na sua casa à noite, quando o seu marido inocentemente lhe pergunta onde está a manteiga, você dispara, "se vira para encontrar, Sherlock." Psicólogos chamam isso de agressão transferida.

A causa do estresse acumulado é sempre a mesma: Você experiencia uma situação a qual você se sente confuso, pressionado e assustado para expressar seus verdadeiros sentimentos. Você está lutando pela sua vida e está perdendo. Você acredita que não tem outra chance a não ser internalizar seu medo e sua ira.
Infelizmente, sentimentos não querem ficar escondidos. As quebras da nossa habilidade em suprimir sentimentos negativos acontecem nos relacionamentos onde nossas defesas são menores, ou seja, com pessoas em quem confiamos mais e que não nos oferecem muita resistência.

Para eliminar esta tendência de estresse acumulado, o primeiro passo é observar isto nos outros. Sabe aquela pessoa que você conhece que é um ex-fumante e que grita com a esposa quando tem de optar pela goma de mascar? Depois, comece avaliar em si mesmo comportamentos similares, onde o seu temperamento pega fogo. Quais são essas situações e onde isso ocorre?

Um excelente sinal deste acúmulo de estresse é aquele sentimento de culpa que bate depois da ação negativa. Infelizmente, muitas pessoas movidas por esta "cutucada" da consciência, mergulham ainda mais fundo neste processo de acúmulo de estresse como um ato de proteção e defesa. Elas sempre trazem velhos argumentos e desculpas para justificar esse comportamento agressivo.

Quando você perceber todo este cenário acontecendo com você, perdoe-se, respire fundo e faça estas perguntas a si mesmo:

1. O que realmente está me incomodando?
2. Qual é a pior coisa sobre isto?
3. Qual é a pior coisa sobre isto?
4. Repita a questão 3 até você encontrar a real fonte, a raiz do seu estresse.

Você vai saber quando estiver lidando com a raiz do seu problema ao sentir que toda sua irritação com as pessoas inocentes na situação desaparecerá na enxurrada de mágoas e lamentações. É preciso coragem e muita honestidade neste novo processo de lidar com a real fonte de seus problemas.

Alinhe-se com seus amigos, aquelas pessoas as quais você pode compartilhar suas verdadeiras questões e estão aptas para te ajudarem. E, uma ótima coisa a se fazer se caso perder o controle e gritar com alguém, é pedir logo desculpas, dizer a verdade sobre no sentido do que realmente está enfrentando e sempre pedir ajuda para alguém mais forte que você. Honestidade e humildade lhe ajudarão a resolver os seus problemas que geram o acúmulo de estresse e os problemas que isso gera.

Lao Tzu disse, "Todas as correntes fluem para o mar porque ele está abaixo delas. Humildade dá este poder." Toda vez que você evitar descarregar e explodir com suas emoções negativas, e ao invés disso admitir as situações onde você se sente menor, você notará paradoxalmente a sua força crescer. Ao passo que se sentir menos ameaçado e mais equilibrado, você irá compartilhar uma relação com as pessoas que se importam com você no mesmo nível, isto é, elas passarão também a lhe mostrar suas questões pessoais e, então juntos, vocês serão inquebráveis.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Livre e igual. Mensagem da ONU contra homofobia.

Não dá para fechar os olhos para o que está acontecendo no mundo. Vídeo da ONU esclarece, alerta e propõe um novo olhar sobre a igualdade entre todos, inclusive no que se refere à orientação sexual de cada indivíduo.

Esta abordagem vai ao encontro das idéias que publicamos em O próximo minuto, de Robson Pinheiro, pelo espírito Ângelo Inácio. Assista o vídeo, leia o livro. Informe-se, entenda, liberte-se.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A profunda intensidade da arte. Veja além. Inspire-se.





Estes dizeres de uma artista
nos ensina que a atitude de absorver com atenção o que está à nossa frente ou o que nos é oferecido, pode nos proporcionar grande evolução, que é de fato, é a finalidade desta existência.

“Um trabalho de arte faz com que você fique alerta sobre o que você talvez não tenha notado numa coisa ordinária e, esta distinção, estreita a sua percepção do que é comum para o extraordinário”.


A afirmação foi feita pela irmã Corita Kent que trabalhou com pintura e depois serigrafia – ajudando a estabelecê-la como forma de representação artística. Sua obra, com mensagens de amor e de paz, foi particularmente popular durante os movimentos ociais nos Estados Unidos, durante os anos 1960 e 1970. 

"A função do trabalho da arte é de alertar as pessoas do que elas podem ter perdido. Quando as pessoas estão envolvidas com os sons, as cores, os movimentos do corpo, elas se conectam à arte, e isso não significa necessariamente a vida delas, mas algo que se torna muito intenso e pode resultar numa experiência extraordinária".

Encarar a vida como arte no sentido de traduzir para um papel ou uma tela que seja, as impressões que temos das pessoas, dos lugares e dos fatos vividos, pode ser uma fonte de inspiração e uma oportunidade para se enxergar o mundo com novos olhos. "Quando olhamos para as coisas pela primeira vez não vemos de fato as coisas e ensinar para as pessoas este exercício de realmente olhar direito, pode ser uma grande descoberta."
Abaixo algumas imagens das obras de Corita. Cores, movimento, em frases de encorajamento ao amor, à verdade e contra guerra.

Veja além. Inspire-se.





Corita durante uma de suas exposições comunitárias.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Por que as pessoas gritam quando estão com raiva?



Um sábio profeta indiano
caminhava pelas margens do Rio Ganges quando percebeu uma família brigando, uns gritando com os outros.

“Por que as pessoas gritam umas com as outras quando estão com raiva?” perguntou aos seus discípulos.

“Porque perdem a calma”, respondeu um deles.

“Sim, mas por que elas gritam se a pessoa está bem ao lado delas? Elas poderiam muito bem falar a mesma coisa sem gritar”

Os discípulos tentaram achar alguma resposta que explicasse o ato do grito, mas nenhuma foi satisfatória.

O profeta então falou:
“Quando duas pessoas estão com raiva, os corações delas estão muito distantes. Por isso elas precisam gritar. Quanto mais raiva elas têm, mais elas precisam gritar para cobrir essa distância.
E quando duas pessoas estão apaixonadas? O que acontece? Elas não gritam uma com a outra. Elas falam suavemente, porque a distância dos corações é muito pequena.
E quando elas se amam ainda mais? Ah, aí elas sussurram, chegam mais perto ainda, as vezes nem existe distância nenhuma entre os corações.
E finalmente, depois de um tempo, elas não precisam nem sussurrar. Basta um olhar. Isso é o quão perto dois corações podem estar.”

“Por isso…” continuou o profeta, “…prestem atenção quando discutirem com alguém. Não deixe que os corações se afastem muito, porque poderá chegar o dia em que a distância pode ser tão grande que os corações se perdem e não conseguem mais encontrar o caminho de volta, para se encontrarem de novo.”


Fonte: UpdateOrDie.com / Wagner Brenner
Via Rodrigo Gava

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Nós amamos o livro espírita.




Por Leonardo Möller


Com alguma frequência algum leitor afirma que nossos livros são caros. Sob certo ponto de vista, eles têm razão. De modo geral, livros no Brasil são caros, se compararmos aos preços praticados na Europa, por exemplo, embora as pesquisas do mercado editorial apontem uma tendência de queda no preço médio do livro, ano após ano, desde 2009. Gasolina é caro, carro é dos mais caros do mundo, iPhone e iPad também são recordistas por aqui.

O que nos chama a atenção é que parece mais comum ouvir que livros são caros do que carros e roupas, entre outros setores campeões de crescimento em nosso país, o que não é o caso do setor editorial e livreiro. Será que isso pode revelar uma escala de valores presente em nossa sociedade? Será que a grande oferta atual de eventos culturais gratuitos ou a preços simbólicos — porque feitos com dinheiro público, por meio da renúncia fiscal levada a efeito pelas leis de incentivo à cultura — fez a gente perder a noção de quanto custa produzir bens culturais? Pior: fez a gente perder a noção do valor que eles têm?

Se a reclamação provém de alguém mais ligado às ideias espiritualidade, não raro é acompanhada do seguinte raciocínio: “Os livros espíritas deveriam ser mais baratos para dar mais acesso a quem não tem dinheiro”. Será, mesmo? Vale sacrificar a qualidade do conteúdo e da apresentação para tratar a todos, indistintamente, como pobres ou vítimas sociais? Não é assim que se fazem iniciativas de inclusão da população de baixa renda. Desde os programas sociais oficiais como o Bolsa Família até a assistência beneficente, a maioria paga mais para que se redistribua àquele que tem muito pouco. Ou quem sabe imaginam que cabe ao produtor de cultura resolver um problema que é do país: a distribuição de renda?

Se você quer pagar menos por nosso livro, é mesmo pensando no outro? Porque, se for, talvez possa contribuir com a biblioteca pública de sua cidade ou de sua casa espírita, se houver uma. Estas, sim, são iniciativas que aumentam o acesso da população de baixa renda aos livros. Nós estamos fazendo a nossa parte. Os trabalhos sociais que ajudamos a realizar nos três núcleos beneficentes que integram, junto com a Casa dos Espíritos, a Universidade do Espírito de Minas Gerais (UniSpiritus), são feitos assim: os que podem pagam para que os que não podem recebam gratuitamente.

Ademais, acreditamos que o livro espírita deve ter cada vez mais qualidade, tanto do ponto de vista de preparação e cuidado com o texto, quanto do ponto de vista gráfico e editorial; conteúdo, apresentação e publicidade cada vez melhores. Nossa avidez por dinheiro, de que certo leitor nos acusa, é a avidez por empregar os recursos da venda de livros na divulgação cada vez maior das ideias espíritas e do ponto de vista que “nossos” espíritos apresentam sobre elas — o qual nos dá enorme entusiasmo e orgulho. Para isso, ambicionamos contratar os melhores profissionais e fornecedores, fazer o marketing bem feito, pagar todos os impostos e, sobretudo, valorizar os colaboradores e parceiros que se esforçam aqui na Editora e por todo o Brasil, e também no exterior, para fazer o livro chegar até você e muitos mais, remunerando-os justamente.

É só assim que a gente sabe trabalhar; a gente detesta coisa feia, texto mal revisado e espremido na página, tornando a leitura um desafio só pra economizar no papel. Não, livro pra gente não é como self-service, vendido a quilo — no caso, de papel. A gente ama livro lindo!

Querer o melhor para o espiritismo e os livros espíritas — se é disso que nos acusam, declaramo-nos culpados, de bom grado. Kardec, além de sustentar o trabalho que fazia com o direito autoral dos livros espíritas que escreveu, pôde, com eles, viabilizar a publicação de opúsculos vendidos a apenas 25 centavos de franco, a fim de popularizar a doutrina nascente. Nós temos iniciativa semelhante, sem cobrar nada, em nosso blog, sem falar do conteúdo produzido para a UniSpiritus ao longo desses 17 anos.

Se você acha que nosso livro não merece o investimento necessário, pare de reclamar e leia-os sem pagar um tostão em sites que oferecem downloads ilegais e de aspecto horroroso; certamente os encontrará na web em poucos cliques. Agora, se você gosta do espiritismo e quer vê-lo chegando a cada vez mais e mais pessoas, brilhando com cada vez mais qualidade, à altura da beleza da doutrina que nos inspira, tenha certeza: nós cuidamos bem da fração do seu dinheiro que chega até nós e nos esforçamos dia e noite para aplicar da melhor maneira o voto de confiança que ele representa. Afinal, são mais de 1,3 milhão de votos assim, de gente que comprou nossos livros.
A gente acredita no espiritismo — que nasceu com a publicação de um livro (e vendido a preço de mercado). A gente é apaixonado tanto pelas ideias espíritas quanto por livros e, por isso, gosta de investir nessas coisas. Definitivamente, a gente não vai sucatear a cara do espiritismo e fazer feio diante dos livros convencionais só para agradar aqueles que não acreditam que o os espíritos e o espiritismo merecem seus melhores investimentos. 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

No ônibus.





















Por Leonardo Möller

— Esta mulher não deve ter nada o que fazer — berrou o motorista para quantos quisessem e não quisessem escutar. — Afinal, quem é tão à toa pra ler 150 páginas num só dia?

— É! — se regozija o trocador. — Só pode ser isso. Eu não aguento ler nem 15 páginas num dia; leio 5 e durmo feito um bebê.

— Sabe como leio livro? — retoma instigante o condutor. — Leio é virando ele de costas e vendo o que está atrás. Pronto, tá lido! — e a geral vai ao delírio em risos que deixam o motorista com aquele ar de orgulho, de quem acaba de revelar uma esperteza, um jeitinho mais astuto de fazer qualquer coisa tida como trabalhosa.

Não gostar de ler tem raízes históricas e culturais profundamente arraigadas à nossa tradição. Tem mudado — aos poucos, é verdade — mas os números divulgados pela Biblioteca Nacional são relativamente animadores. Relativamente porque, embora tenhamos passado de 1,4 livro per capita/ano para mais de 4, o que é uma vitória, essa conta mágica inclui os livros didáticos distribuídos gratuitamente no Brasil, que tem o maior programa do gênero no mundo. Portanto, quanto aos hábitos de leitura, compreendo e penso que cabe a nossa sociedade, a nós, o desafio de superar isso.

O que me intriga e deixa estupefato é outra coisa. É algo que se reflete no ar de sabichão do motorista, insuflado pela minguada plateia ali presente. É a esperteza de ser inculto, o orgulho de ser ignorante, o vanglorio da mediocridade, a empáfia de achar que é no não saber que reside a verdadeira sabedoria e que, por conseguinte, quem estuda é bobo, quem procura saber é tolo, quem quer ir além da superficialidade não passa de idiota ou careta.

Que explica esse culto à mediocridade que vigora hoje em dia? Como entender que a falta de instrução do morro pacificado e da nova classe C tome conta da cidade, em vez de a civilização subir as vielas da miséria? (Bom, é verdade: em favelas há mais casas com TV de tela plana que com reboco e tinta na parede, mas isso é outro assunto.)

Afinal, quando foi que a indigência intelectual e a pobreza cultural foram elevadas à categoria de desejáveis e viraram “cool”? Será que a ascensão de um presidente que não só é iletrado mas se orgulha de ser bufão e despreza o que vai além da maquiagem e da superficialidade explica suficientemente esse fenômeno? A meu ver, apenas em parte; não pode ser tudo.

Quando se convencionou que os “funks” cariocas, pagodes, axés e sertanejos de baixo nível, com letras vulgares e que refletem o total descaso com a língua, a cultura e a dignidade do ser humano, seriam aceitáveis, mesmo entre pessoas letradas e da elite econômica? Por certo não era essa a admirável cultura popular que homens como o grande Ariano Suassuna queriam ver reconhecida — e, ironicamente, continua restrita a certos meios, “cult” e impopular como sempre foi.

Nesse mesmo dia da conversa ouvida no ônibus, alguém me disse que eu deveria descer um pouco do “meu mundo”, conhecer as gírias, os gostos e “da ralé, do povão”. Deve ser a centésima vez que ouço essa cantilena. “Você não conhece o leque-leque? — escreve-se assim? — Mas como?”

Acho intrigante porque desde criança ouvi exatamente o contrário. Tanto em casa como na escola, era incentivado — e cobrado, também, graças a Deus! — a saber a matéria, estudar mais, conhecer o nome e o estilo dos autores, saber organizar a biblioteca, o nome dos ministros de estado (é verdade, eram apenas 10, e não 39), a concordância nominal e, antes disso, a dicção, para não sair dando pontapés no peito do idioma, um dos maiores patrimônios de uma nação.

Alegrava-me quando aprendia algo disso tudo, embora fosse mais comum me aperceber da porção de coisas ignorada, fatia sempre maior, muito maior. Perante algo desconhecido, a reação era dúbia: de encanto — “Meu Deus, quanta coisa interessante há por conhecer neste mundo!” — mas também de vergonha — “Meu Deus, quanta coisa não sei!”. A gente chegava a mentir sobre o que conhecia, de tão vergonhoso que era não saber ou saber tão pouco.



Naquela época, saber algo era considerado admirável, desejável, bonito. (Estou tão velho assim?) Meu avô, agricultor que deve ter saído da escola com 10 anos, como era praxe no Brasil de então — ele é de 1910 —, sabia fazer contas de cabeça como poucos. Era imbatível na aritmética, aliado fundamental à época de comerciante e dono de moinho, com os quais Getúlio acabou no Rio Grande. Pobre, saiu cedo da escola, mas sabia mais que o grosso dos universitários de hoje, que lê sofregamente ou sofrivelmente e escreve pior ainda. Nosso programa de férias? Ele tomar-me as capitais dos estados brasileiros. Quando ficou monótono, a sabatina enfocava as capitais dos países ao redor do globo. Antes de chegarmos à África, ele ficou muito doente e ranzinza, quando eu tinha uns 12 anos. Sabia da política, lia jornal até morrer — pensando bem, talvez eu tenha herdado dele o horror a Getúlio Vargas. Era um homem não só informado, como de resto todos os meus parentes, muitos dos quais bastante pobres, vivendo na área rural, mas que admiravam o mundo novo a penetrar e perscrutar: o mundo do conhecimento.

Onde foi que isso se perdeu, afinal? O brasileiro comprou TV de tela plana, bebe Coca-Cola todo dia, pode viajar em 10 vezes pela CVC e ir ao shopping com seu carro financiado a juros escorchantes — compra-se um, pagam-se dois e vende-se por meio — e, por tudo isso, está se achando o máximo? Espelha-se no seu guru, que diz ser “do povo” dentro de seu costume Armani de R$6 mil — talvez seja porque tem no jogo do timão o mais relevante evento cultural por que se interessa — e acha que consumir substitui o instruir-se? O delírio coletivo é de que bens não duráveis valem mais que a fantástica jornada de abraçar este mundo sempre tão maior que nossos braços e mente?

O ufanismo que exalta inclusive a ignorância tem de acabar. Sair às ruas pedindo melhor educação não bastará para nos tirar da letargia. Será preciso recuperar o gosto e a disposição por aprender. Ver em quem lê não um desocupado, mas alguém que ilumina a humanidade ao iluminar-se a si mesmo. Será preciso valorizar quem estudou, quem educa e ensina, quem conquistou o saber, quem é autoridade em determinada matéria. Melhor educação só virá quando educar-se for considerada tarefa nobre e almejada pela maioria, sempre e permanentemente, dentro e fora da escola.






(* Caso ocorrido em 13/7/2013, às 14h, num ônibus urbano de Belo Horizonte, MG.)

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Trailer book do novo livro "Os guardiões".

Assista em HD o trailer book do novo livro da trilogia Os Filhos da Luz: Os guardiões. Acompanhe essa emocionante sequência de Cidade dos Espíritos, psicografado por Robson Pinheiro pelo espírito Ângelo Inácio. Lançamento em breve!



Os guardiões | Trailer Book from casa dos espiritos on Vimeo.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Herminio C. Miranda: um pássaro que agora voa liberto.



Desencarnou nesta segunda-feira,
8 de julho de 2013, Herminio C. Miranda. Escritor e pesquisador espírita, a quem sempre nutrimos grande admiração. Seja pela seriedade como sempre realizou seu trabalho, seja pela beleza de sua escrita – que muitas vezes falava de ciência usando a poesia. Apesar de nunca termos publicado nenhuma de suas obras, seus textos sempre nos nortearam e foram valiosas fontes de consulta. Aos 93 anos, deixa esse plano e volta a ser um espírito de luz. Continua inspirando, ensinando e enchendo de sabedoria, os estudos sobre o espiritismo neste mundo. Boa viagem Herminio: "O pássaro agora voa liberto. Nós, que não mais podemos vê-lo, já sentimos saudades do seu canto".

sábado, 25 de maio de 2013

Capas não aprovadas: Sabedoria de preto-velho.

Apresentamos mais uma leva de projetos de capas não aprovadas. Desta vez, os estudos de desenho para Sabedoria de preto-velho. A solução com sobrecapa em acetato – utilizada na versão atual – sempre permeou as ideias desde o início dos trabalhos. Mas é claro, o fator custo é uma variável importante a se levar em conta. No final, o "design sensorial" ganhou. A transparência da sobrecapa se fazia super pertinente. Nossos leitores e a obra, mereciam. Bem, o resto é história. E aí, o que acham?





sexta-feira, 24 de maio de 2013

Nova edição de "Serenidade" confirmada para junho 2013.


Confirmada para junho, a nova edição revista e ampliada de Serenidade. Uma terapia para a alma, de Robson Pinheiro, pelo espírito Alex Zarthú. Com novo projeto gráfico – totalmente ilustrado –, a editora resgata este outro título que estava esgotado nas livrarias já faz algum tempo; mais um bestseller de Robson Pinheiro, com nova e inovadora roupagem. 


O momento é de emergência. Os valores internos ameaçam ruir frente aos problemas. É preciso recuperar a serenidade da alma. Nas mensagens do indiano Alex Zarthú, o Evangelho é visto sob a ótica da psicologia espírita, aplicado ao dia a dia. Um roteiro de autotransformação, uma reflexão sobre medos, angústias, ansiedades e outros conflitos enfrentados pelo ser humano em sua jornada. Conceitos espíritas aliados às modernas interpretações da psicologia transpessoal, mostrando a profundidade e a atualidade do convite: “Homem, conhece-te a ti mesmo”. Textos leves, ideais para momentos desafiadores.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Caro ou barato: uma questão de valor.



Em 2006, nosso editor Leonardo Möller
escreveu um texto que abordava o tema da "precificação" em nosso país. O texto respondia a críticas feitas na época, sobre o preço de cursos realizados pela editora em SP. Achamos super pertinente trazer este ensaio à tona novamente, já que fala do tema "preço" de forma mais ampla: acaba fatalmente abrangendo a questão de "preço dos livros", que é um assunto recorrente em nossas redes sociais e, às vezes, até controverso. E você, o que você acha?


Caro ou barato: uma questão de valor

Ainda com relação ao aspecto financeiro, quero enfocar a questão do poder aquisitivo de maneira crítica. É verdade que a maior parte de nossa população brasileira está nas camadas c, d e e. Até é possível que o quadro se reproduza no âmbito espírita. Contudo, isso é um problema de renda de nosso país, e não um problema inerente ao custo das coisas, como o valor do Curso em SP. Quero dizer que o curso não pode ser julgado caro ou barato com base no poder aquisitivo individual, mas isso deve ser feito com base na realidade a nosso redor.

Quanto custam cursos similares, em outras áreas do conhecimento? Essa é uma pergunta pertinente. Ou, sob outro ângulo ainda mais óbvio para demonstrar o que pretendo: por que R$ 1.200,00 é caro para um curso mas não é, por exemplo, para uma TV de 29”? Você sabia que agora, na época da Copa do Mundo, esse produto é campeão de vendas entre consumidores das classes c, d e e nas lojas líderes no segmento, como Casas Bahia ou Ponto Frio? Por que uma tv vale R$ 1.200,00 e o conhecimento espiritual, não?

Gostaria de explorar mais esse ponto, pois essa é uma questão que considero central, e que denota o valor que damos às coisas, algo extremamente subjetivo e que não guarda relação direta nem está atrelado ao poder aquisitivo ou mesmo ao preço em reais, como sugere o senso comum. É um engano pensar assim. É o que demonstram fartamente as pesquisas e especialistas de marketing, e suas conclusões deveriam ser debatidas urgentemente pelos espíritas. Vejamos alguns exemplos:

[1] Em minhas relações, conheço mais de 40 pessoas que usam regularmente produtos da Natura e nenhuma delas acha que sejam caros, mesmo não podendo adquirir tudo o que desejam — são das classes c, d e e. (Creio que isso reflete o mercado, pois a Natura tanto despertou para o poder de compra das classe c, d e e que está investindo maciçamente em merchandising na novela das oito, na Globo.) Porém, grande parte delas diz não consumir livros porque são “caros demais”; entre aqueles que os compram, há queixas de que o livro espírita encareceu muito nos últimos anos. O engraçado é que tanto um produto da Natura como um livro custam de R$ 30,00 a R$ 50,00… E digo mais: o primeiro é consumível, e dura de 15 a 60 dias; o outro é um bem mais durável, imperecível.

[2] Esses dias um funcionário da Casa dos Espíritos, que recebe líquidos R$ 550,00 por mês (mais garantias sociais, evidentemente), adquiriu um capacete para sua moto no valor de R$ 280,00, e não o ouvi dizer uma vez sequer que estava caro. “Ah! É segurança, meu instrumento de trabalho, é bonito, confortável…”, foi o que argumentou. Note: ele empregou metade de seu salário num capacete e achou que valia a pena. Quem sou eu para julgar o valor que ele atribui a um capacete? Suspeito inclusive que esteja motivado por uma questão mais subjetiva, de status, porque o capacete tem grife e design bem arrojado. Porém, esse mesmo funcionário, em outra ocasião, ao receber uma crítica a seu corte de cabelo, que estava terrivelmente malfeito, respondeu que estava assim porque precisa cortar num lugar barato, já que sua renda é pequena. Ele também estava descontente com o próprio cabelo. Disse-me então que pagara R$ 5,00 pelo corte. “R$ 5,00! O equivalente a 2 passagens de ônibus!”, respondi. E ele esperava o quê? Retruquei que há bons cortes a R$ 15,00 na praça, ao que ele rebateu, prontamente: “É caro demais! Não ganho para tanto”. E continuou a cortar no local que oferecia cortes amadores a R$ 5,00…

[3] Em nossa casa espírita promovemos recentemente um curso de um dia inteiro, ao valor de R$ 150,00 ou, para alunos dos cursos gratuitos, R$ 95,00, com um livro incluído na inscrição e parcelamento em até 3 vezes sem juros no cartão de crédito. Determinada voluntária, que pagaria o valor menor (todos os voluntários de nossa casa são obrigatoriamente alunos dos cursos gratuitos), deu um escândalo, achando um absurdo. Mas ela mesma costuma vender roupas, que é sua profissão, dentro da casa espírita, para colegas (na verdade, costumava, pois nós proibimos tal prática a partir de então) — embora jamais tenha revertido um centavo sequer para a instituição. Repare: a venda ocorria internamente, nas dependências da casa. Suas calças jeans custam até R$ 180,00, e ela não as acha caras. Todos seus clientes são das classes c, d e e, pois ela mora e trabalha na periferia da cidade, onde está localizada nossa Sociedade. São os mesmos que afirmaram ser “excluídos” de um workshop a R$ 95,00 ou R$ 150,00.



Não é curioso? Geralmente, no Brasil, nossa cultura tende a atribuir mais valor a produtos do que a serviços, isto é: a coisas em vez de gentes, no tocante à remuneração. Isso é triste, mas certamente tem raízes em nosso passado histórico, escravocrata e colonial. É o caso do capacete versus corte de cabelo, ou da TV de 29” versus Curso em SP. No entanto, mesmo entre os produtos, freqüentemente atribuímos mais valor aos menos duráveis, ao invés daqueles que possuem uma vida útil mais longa — o que é um paradoxo interessante. Quer ver?

> Um lanche no McDonald’s não é caro (é a rede de fast food de maior sucesso no Brasil), mas um CD original é (quantas pessoas só compram piratas, prejudicando o autor, sem remunerar a produção daquela obra?);

> um tênis da Nike pode custar de R$ 400,00 ou R$ 800,00, e muita gente de classe c, d e e compra; no entanto, querem pagar R$ 500,00 por um jogo de mesa com 4 cadeiras para a cozinha e ainda esperam encontrar qualidade;

> um livro a R$ 40,00 é caro, mas as revistas mais convencionais, muitas das quais logo serão descartadas e são recheadas de publicidade, podem custar R$ 15,00 e não parecem incomodar;

> um livro a R$ 50,00 é absurdo, mas um filtro solar eficaz, que é um remédio necessário para prevenção do câncer de pele (o Brasil é o 3º colocado no ranking mundial de casos de melanoma) custa mais que isso e não dura sequer 60 dias, mas pouco se fala a respeito;

> não é difícil um carro zero custar R$ 45.000,00, fora o que se gasta para mantê-lo e a estrondosa depreciação a que está sujeito, mas grande parte das pessoas que os adquirem acham R$ 200.000,00 muito por um imóvel;

> sobre o Curso em sp de novo: quem tem carro zero ou até 3 anos de uso (valor de mercado de até R$ 40.000,00) paga todo ano cerca de R$ 1.000,00 ou mais pelo ipva — sendo espírita ou não! —, mas talvez ache que pagar R$ 1.200,00 por um conhecimento para a eternidade é caro.

Não é interessante o funcionamento da nossa mente? É por essas e outras que estou convencido de que o problema não é o poder aquisitivo e, em certa medida, nem a renda é o “x” da questão. Creio que o fator determinante na decisão do que achamos de caro ou barato é o valor que atribuímos às coisas, que é determinado pela interação de nossa subjetividade com questões culturais que nos influenciam.

E, nesse particular, acostumamo-nos com as coisas espirituais sempre de graça, no meio espírita — o que justifica-se, no contexto mediúnico, a fim de diferenciarmo-nos da lamentável barganha e exploração econômica das questões mediúnicas e espirituais que vemos por aí. Contudo, Kardec é claro em dizer que as coisas mediúnicas é que não são passíveis de cobrança, e não todo o resto na casa espírita. Tanto que ele cobrava mensalidade de seus médiuns! Não podemos generalizar a cultura do “de graça” para todos os setores do espiritismo, sob pena da atrofia de nossas casas espíritas e de nossos veículos de comunicação, quase sempre aquém do que o mundo oferece em termos de tecnologia e do que dispõem outros segmentos religiosos.

A respeito da crise nas instituições, como somos editora, temos podido acompanhar a evolução do movimento espírita, o que nos preocupa. Você não acreditaria se lhe mostrasse a quantidade de casas espíritas que estão fechando as portas por questões financeiras; de casas espíritas que têm desistido de ter livraria, pois vêem a questão comercial como um problema (tudo está caro demais, dizem, até salgadinhos em lanchonetes!); de casas espíritas grandes e tradicionais que têm passado severos apertos de caixa. Até onde irá nosso paternalismo?

Você duvida desse fato? Basta olhar o estado de conservação dos imóveis das casas espíritas, em muitos casos deplorável, caindo aos pedaços mesmo, longe de refletir a beleza e a harmonia do ideal que professam. Não falo de luxo e opulência, não, mas de o mínimo que qualquer um de nós tem ou deseja ter em sua própria residência.

Sendo assim, se desejamos a continuidade e o crescimento do espiritismo e da difusão das idéias espíritas, como alcançá-lo se não nos dispomos a contribuir financeiramente, de modo direto ou indireto — como no caso do Curso em sp — para que isso ocorra? Acreditar verdadeiramente no ideal que abraçamos passa necessariamente por investirmos não só tempo mas empregarmos também recursos materiais de que Deus nos dotou para o progresso da obra que abraçamos.

É ou não é?

Você não precisa ser médium para captar as mensagens do Além. Só precisa de um rádio.

Toda semana o médium Robson Pinheiro e o editor da Casa dos Espíritos, Leonardo Möller, com participacão especial de Macos Leão e de Charles Peterson, comandam dois programas de rádio. Fique ligado nos horários e sintonize, pelo rádio ou pela internet. Captar as mensagens do Além, nunca foi tão fácil. E você nem precisa ser médium.


quarta-feira, 24 de abril de 2013

O amor pode mudar o mundo. E é sério.





Quando dizemos que o amor pode mudar o mundo, não estamos dizendo metaforicamente. Muitos são os exemplos que começam a aparecer – e aqui cabe saudar as maravilhas das redes sociais, que fazem com que esses casos se espalhem como um vírus do bem.

Abaixo um relato da página do Facebook de Raimundo Arruda Sobrinho, um ex-morador de rua, resgatado da exclusão social por uma mulher. Ela não tinha nenhum vínculo familiar com Raimudo, só que entendia que somos todos "um". Que a condição de Raimundo afetava a sua própria condição. Entendeu que o amor que ela sentia, podia mais que qualquer medo.

"Prezados amigos do Raimundo,

Hoje, 23 de abril de 2013, faz 1 ano que Raimundo Arruda Sobrinho saiu da “ilha” que viveu por quase 19 anos, um canteiro da Av Pedroso de Morais, em SP.

Nascido na Zona Rural de Goiás, ele estava há 51 anos longe de sua terra Natal e ao todo viveu quase 34 anos na condição de morador de rua em SP.

Tive a honra e o privilégio de conhecê-lo, conviver com ele por quase 1 ano em frequentes visitas e ser sua amiga.

Sentado em um banquinho de madeira, vestido com sacos de plástico preto, ele passava o tempo escrevendo em “pedacinhos de papel”, delicadamente cortados no mesmo tamanho. Todos têm número de série, são datados com o ano de 1999 + o número que falta para se chegar ao ano em questão (por ex, 2012 é 1999 + 13) e assinados como “O Condicionado”.

Abaixo transcrevo a primeira Mini-Página (como ele os denomina) que ganhei:

“Ofertas, Gestos Oferta
Gestos, Páginas Autográfas.
Ponte 2
Que é o interesse do leitor,
Pela vida do autor que ele leu?
E dos demais consumidores de tudo
Que o homem fez?

Ass. O condicionado
SP 4 – 4 – 1999 + 13 (c)

Logo comecei a colecionar as Mini-Páginas, conhecer mais da obra e do homem tão especial que é Raimundo e não tardou para que fizesse esta Página para ele, com o intuito inicial de publicar a sua obra (esta é uma vontade antiga do Raimundo) e com isso fazer com que mais pessoas conheçam a grande pessoa que ele é.

Para total surpresa e alegria, em pouquíssimo tempo a família de Raimundo entrou em contato e, a partir daí, nossos esforços se voltaram para o restabelecimento dos laços familiares e inclusão social do Raimundo.
No dia 23 de abril, ele saiu das ruas e foi para o Caps do Itaim, local no qual recebeu cuidados para que pudesse retornar a Goiás, onde hoje vive com sua família!

Raimundo está muito bem, falamos sempre ao telefone e vou visitá-lo pela segunda vez em breve!

Sou eternamente muito grata pelo meu encontro com Raimundo, por todo aprendizado que este encontro tem me possibilitado, pela convivência com este ser iluminado e por poder servir de canal para que sua condição mudasse tanto, de forma tão plena!

Esta é uma história com um Final muito Feliz!!

E uma vez que todo final é sempre um recomeço, podemos dizer que é uma história que começa novamente aos 74 anos da vida de um homem (que por quase a metade de sua vida foi “Condicionado” às maiores adversidades que muitos de nós sequer consegue imaginar) com o merecidíssimo acolhimento e amor, ao lado dos seus familiares!

É uma grande prova de que tudo é possível e não importa quão difícil nossa condição de vida se apresente, sempre é possível melhorá-la! Em breve e, ao lado dele, darei mais notícias para vocês!!

Despeço-me com as sábias palavras do nosso querido poeta, escritas após retorno de uma viagem familiar:

“Desgraçado do homem que se abandona

Estas seis palavras acima indicam que, por pior
que seja a situação, nunca, nunca o homem deve
considerá-la perdida porque ninguém pode
dar garantia que adversidade seja invulnerável”

Raimundo Arruda Sobrinho, 04/11/2012

Maravilhoso Mestre!!!

Abraços Fraternos!"


Para quem quiser saber mais dessa história: https://www.facebook.com/ocondicionado

terça-feira, 23 de abril de 2013

Concorra a 5 exemplares autografados por Robson Pinheiro de seu lançamento "Cidade dos espíritos".



Participe da promoção que vai sortear 5 livros autografados do lançamento de Robson Pinheiro. Acesse aqui o link da promoção, cadastre-se e participe! Corra, o sorteio pode ser a qualquer momento!

terça-feira, 16 de abril de 2013

O verdadeiro homem invisível.


















O psicólogo social
Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são "seres invisíveis, sem nome". Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da "invisibilidade pública", ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida: "Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência", explica o pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. "Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão", diz. Apesar do castigo do sol forte, do trabalho pesado e das humilhações diárias, segundo o psicólogo, são acolhedores com quem os enxerga. E encontram no silêncio a defesa contra quem os ignora.

Como é que você teve essa idéia?

Meu orientador desde a graduação, o professor José Moura Gonçalves Filho, sugeriu aos alunos, como uma das provas de avaliação, que a gente se engajasse numa tarefa proletária. Uma forma de atividade profissional que não exigisse qualificação técnica nem acadêmica. Então, basicamente, profissões das classes pobres.

Com que objetivo?

A função do meu mestrado era compreender e analisar a condição de trabalho deles (os garis), e a maneira como eles estão inseridos na cena pública. Ou seja, estudar a condição moral e psicológica a qual eles estão sujeitos dentro da sociedade. Outro nível de investigação, que vai ser priorizado agora no doutorado, é analisar e verificar as barreiras e as aberturas que se operam no encontro do psicólogo social com os garis. Que barreiras são essas, que aberturas são essas, e como se dá a aproximação?

Quando você começou a trabalhar, os garis notaram que se tratava de um estudante fazendo pesquisa?

Eu vesti um uniforme que era todo vermelho, boné, camisa e tal. Chegando lá eu tinha a expectativa de me apresentar como novo funcionário, recém-contratado pela USP pra varrer rua com eles. Mas os garis sacaram logo, entretanto nada me disseram. Existe uma coisa típica dos garis: são pessoas vindas do Nordeste, negros ou mulatos em geral. Eu sou branquelo, mas isso talvez não seja o diferencial, porque muitos garis ali são brancos também. Você tem uma série de fatores que são ainda mais determinantes, como a maneira de falarmos, o modo de a gente olhar ou de posicionar o nosso corpo, a maneira como gesticulamos. Os garis conseguem definir essas diferenças com algumas frases que são simplesmente formidáveis.

Dê um exemplo?

Nós estávamos varrendo e, em determinado momento, comecei a papear com um dos garis. De repente, ele viu um sujeito de 35 ou 40 anos de idade, subindo a rua a pé, muito bem arrumado com uma pastinha de couro na mão. O sujeito passou pela gente e não nos cumprimentou, o que é comum nessas situações. O gari, sem se referir claramente ao homem que acabara de passar, virou-se pra mim e começou a falar: "É Fernando, quando o sujeito vem andando você logo sabe se o cabra é do dinheiro ou não. Porque peão anda macio, quase não faz barulho. Já o pessoal da outra classe você só ouve o toc-toc dos passos. E quando a gente está esperando o trem logo percebe também: o peão fica todo encolhidinho olhando pra baixo. Eles não. Ficam com olhar só por cima de toda a peãozada, segurando a pastinha na mão".

Quanto tempo depois eles falaram sobre essa percepção de que você era diferente?

Isso não precisou nem ser comentado, porque os fatos no primeiro dia de trabalho já deixaram muito claro que eles sabiam que eu não era um gari. Fui tratado de uma forma completamente diferente. Os garis são carregados na caçamba da caminhonete junto com as ferramentas. É como se eles fossem ferramentas também. Eles não me deixaram viajar na caçamba, quiseram que eu fosse na cabine. Tive de insistir muito para poder viajar com eles na caçamba. Chegando ao local de trabalho, continuaram me tratando diferente. As vassouras eram todas muito velhas. A única vassoura nova já estava reservada para mim. Não me deixaram usar a pá e a enxada, porque era um serviço mais pesado. Eles fizeram questão de que eu trabalhasse só com a vassoura e, mesmo assim, num lugar mais limpinho, e isso tudo foi dando a dimensão de que os garis sabiam que eu não tinha a mesma origem socioeconômica deles.

Quer dizer que eles se diminuíram com a sua presença?

Não foi uma questão de se menosprezar, mas sim de me proteger.

Eles testaram você?

No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse: ‘E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?’ E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.
O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?

Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?

Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando – professor meu – até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?

Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma coisa.

Para saber mais, leia o livro relato desta experência: Homens Invisíveis, Relatos de uma humilhação social. Fernando Braga da Costa, editora Globo.

Fonte: Plínio Delphino, Diário de São Paulo