sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Diversas faces da umbanda

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“Enquanto Erasmino fugia da ajuda espiritual, os filhos de fé de Odete procuraram a tenda de umbanda indicada pela mãe. A princípio, quatro deles foram até o local para reconhecer o ambiente e pedir permissão aos dirigentes para realizarem uma pesquisa de campo.

— Claro que podem participar conosco, filhos — respondeu a coordenadora responsável à indagação dos filhos de fé enviados por Mãe Odete. — Aqui, somos abertos à participação de todos os interessados. Como vocês já sabem, a única coisa que pedimos é o respeito ao ambiente e aos nossos guias e orixás. No mais, não é preciso ensinar reza para padre — comentou D. Manuela, toda risonha com os visitantes.

— Agradecemos a simpatia e a permissão para que possamos participar, minha mãe — essa era a forma respeitosa de se dirigir à orientadora espiritual da tenda umbandista.

— Vocês chegaram num momento propício. Vamos nos reunir, justamente, agora, para uma aula sobre umbanda, que será ministrada por nós, os encarnados, e também contará com a participação dos espíritos — bom, pelo menos, assim esperamos! — caso eles queiram dar sua contribuição em nossos estudos.

— Então, podemos participar?

— Como não? São meus convidados. Venham, entrem em nosso salão.

— Sentimo-nos verdadeiramente honrados com tanta generosidade, Mãe Manuela.

Raphael, um dos filhos enviados por Odete, reparou na extrema simplicidade do ambiente. Não viu estátuas de santos, como no gongá de Odete. Também procurou símbolos e outros apetrechos de trabalho, como estava acostumado a ver na casa de caridade de onde vinha; mas nada. Ali, a decoração era mínima, singela. Compunham o altar, dispostos sobre uma toalha de linho alvíssimo e engomado, tão somente uma vela acesa, ladeada por dois jarros de flores, sintetizando tudo o que os olhos pudessem apreciar no ambiente. Além disso, um discreto aroma de rosas era percebido na atmosfera da tenda, da qual emanava candura e, ao mesmo tempo, certa solenidade; o salão inspirava respeito e reverência sem ser imponente, e era acolhedor. Viam-se várias pessoas sentadas, em oração, todas vestindo branco. Raphael olhou de maneira discreta para os outros três companheiros que vieram com ele. Todos notaram as discrepâncias marcantes, logo no início. Tudo era bastante diferente do que se observava na tenda onde atuavam. Sentaram-se. Logo após, um homem assumiu a frente e introduziu as atividades:

— Estamos aqui para nossa aula sobre a umbanda e seus mistérios. Recebemos, com o máximo carinho, nossos convidados e desejamos que se sintam bem e à vontade entre nós. Para começar, vamos dar a palavra ao nosso irmão de fé, Roberto Assis, que iniciará sua palavra hoje, pela primeira vez, em nossa tenda.

Após agradecer pela oportunidade e saudar a todos, Roberto, que teria apenas alguns minutos, iniciou sua fala:


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— Meus irmãos, caros visitantes, hoje quero abordar um tópico que costuma gerar desconforto em nosso meio umbandista. Refiro-me ao fator consenso entre os praticantes da nossa sagrada umbanda. É compreensível que uma religião que tem tantas faces, tantas formas de se apresentar ao público, ao mundo, encontre dificuldade ao estabelecer uma posição consensual sobre determinado ponto, sobretudo, se levarmos em conta a grande variedade de seus integrantes e adeptos. Digo mais: tenho observado, em minhas pesquisas, que nem mesmo os espíritos chegaram ao consenso sobre diversos pontos, uma vez que muita coisa depende da interpretação, do fator cultural e — por que não dizer? — até do nível de escolaridade de quem estuda, lê e interpreta as questões relativas à umbanda. É claro que não defendo que os títulos acadêmicos mundanos tornem alguém, automaticamente, mais capaz de entender os preceitos sagrados; muito pelo contrário, como, tantas vezes, nos ensinou Jesus. Mas ninguém há de acreditar que uma boa educação básica não desempenhe uma função essencial na compreensão da doutrina umbandista, e até mesmo da prática.

‘Acredito que, entre todos os segmentos filosóficos, religiosos ou de outra natureza qualquer, essa diversidade na maneira de ver as coisas e as variadas formas de interpretá-las seja algo muito comum. Por certo, não é somente na umbanda que isso ocorre. 


Vou dar como exemplo a questão relativa aos orixás cultuados em nossa sagrada umbanda. Em algumas vertentes, aceitam-se somente os sete orixás principais; os demais sequer são mencionados, embora sejam respeitados por diferentes segmentos umbandistas. Por outro lado, existem orixás habitualmente cultuados em barracões de candomblé e que são admitidos e reverenciados em numerosos templos de umbanda. Como exemplo, cito orixás como Oiá, Oxumarê, Nanã e até mesmo nosso pai Obaluaê, ou o velho Omulu. Nem todas as vertentes de umbanda orientam seus seguidores e médiuns a respeito deles, mas nem por isso podemos dizer que um ou outro lado estejam equivocados.

‘Outro caso que merece análise é o fato de médiuns fumarem e beberem enquanto estão incorporados. Há quem defenda que elementos como o fumo e o álcool são instrumentos de trabalho necessários, a fim de que os espíritos possam realizar sua tarefa com médiuns umbandistas. Entretanto, outra corrente, que ganha cada vez mais espaço entre nós, sustenta que nossos guias não precisam de elementos tão materiais assim para desempenhar suas atividades, seja de descarrego ou qualquer outra. Então, perguntamos: qual das duas posições está correta? Quem está com a razão?

‘De minha parte — eu, que sou um simples pesquisador — agradeço muito à Mãe Manuela, que nos dá oportunidade de discorrer sobre temas espinhosos sem nos obrigar a nos conformar com este ou aquele ponto de vista. Para mim, pessoalmente, encaro essa diversidade de opiniões como condutas claras que variam em função da necessidade do público, deste ou daquele terreiro, mas que variam, também, muito especialmente, de acordo com o dirigente material dos trabalhos. Ou seja, em minha opinião, os médiuns e dirigentes umbandistas imprimem em suas atividades forte componente pessoal, conforme sua formação sacerdotal e seus conceitos particulares acerca do que os próprios guias fazem. De tal modo que notamos, em diversos centros umbandistas, muitas características nem sempre advindas, necessariamente, da orientação espiritual, mas como produto do pensamento do dirigente material.’

— Mas isso não constitui perigo na condução dos trabalhos da umbanda, meu amigo? — indagou um dos presentes, nitidamente, interessado no assunto, uma vez que acompanhara outras palestras na casa, em dias anteriores. (…)”


Antes que os tambores toquem
Robson Pinheiro pelo espírito Ângelo Inácio
Páginas 219-225

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sexta-feira, 14 de setembro de 2018

O mal é sempre o mal

O mal…

Muitas vezes ele se mostra abertamente, conforme acreditado pela multidão, sem disfarces, sem procurar mistificar sua presença com aparências de santidade. Sua fealdade mostra-se em toda a sua grandeza.

Sem nenhum escrúpulo, em determinadas situações se apresenta como se algo ou alguém estivesse ameaçando sua “estabilidade política”. Mostra-se sem medo nem piedade, numa guerra declarada a qualquer coisa, ser ou situação que se afigure como elemento de progresso.

Em outras ocasiões ele se disfarça, pois precisa imiscuir-se em redutos contrários a seus propósitos. O mal se mascara ardilosamente e pouco a pouco penetra na mente, nos pensamentos, nas emoções dos representantes do progresso e das instituições que patrocinam a evolução do pensamento humano. Silenciosamente faz sua obra, como se fora um inseto imperceptível que vai corroendo certas ideias, basilares à política que lhe é oposta. Escondido sob um manto de aparente humildade, o mal vai se alastrando, tendo como armas as palavras suaves, sutis e os pensamentos dissimulados com o verniz da educação e conceitos distorcidos da verdade, da ética e da moral.

Alguns se encantam com tal artimanha, naturalmente encoberta a fim de produzir uma hipnose momentânea. Outros se assombram com sua desfaçatez e o requinte do disfarce apresentado, escondendo sua essência atrás de toda uma filosofia, aparentemente muito bem elaborada. Muitos se deixam conduzir por sua sagacidade e seus encantos, que sabem, como tentáculos tenebrosos, fixar-se nas mentes de quem se deixa seduzir por palavras, conceitos e vocabulários que escondem sua intimidade.



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Mas o mal é sempre o mal. Não importa que nome tenha ou como seja conhecido. Não há disfarce amplo o bastante para encobrir sua natureza destruidora e daninha, desde que haja interesse em conhecer a verdade. Não há encantos que obscureçam sua ação quando há sintonia com os propósitos elevados da vida.
Contudo, nenhum ser o intimida quando está determinado a agir e, como um verme, começa a corroer de dentro para fora, destruindo a imunidade espiritual de qualquer criatura.

Ele vem, de mansinho e lento. Manhoso, como uma célula cancerosa que se aloja no meio de outras sadias. Pouco a pouco corrói, irradia-se e despe-se assim de seus disfarces. Realiza gradativamente sua destruição — programada, organizada, demoníaca. Enfim, mostra-se pleno, vigoroso, insaciável. Seu magnetismo de terrível beleza engana e encanta a quem não lhe conhece as profundezas.

O mal…
Ele esconde-se sob o manto da escuridão — dos senhores da escuridão.

Senhores da escuridão

Robson Pinheiro pelo espírito Ângelo Inácio

Trilogia O Reino das Sombras, vol. 2Prefácio, páginas 13 a 15

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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Política e religião se misturam?

POLÍTICA E RELIGIÃO


Texto transcrito de vídeo transmitido ao vivo em fb.com/casadosespiritos

Olá, pessoal! Eu sou Leonardo Möller, editor da Casa dos Espíritos, e queria falar um pouquinho com vocês a respeito de política e religião, dessa baita controvérsia que a gente tem visto nos comentários [das redes sociais] desde que a gente lançou o livro O partido, lá em maio do ano passado, que é o primeiro volume da série A Política das Sombras. No segundo semestre, a gente lançou o livro A quadrilha: o Foro de São Paulo, que é o segundo volume, e agora, com o livro O golpe, esse assunto volta à tona mais uma vez. Então, é importante a gente esclarecer de novo e agora assim, por vídeo, aqui.

Queria dizer dois argumentos, já que a gente vai bater um papo rapidinho, para você pensar.

O primeiro deles é que, se a gente não quiser falar de política, só tem um jeito de dizer que a gente é cristão: deixar de sê-lo. Porque, se a gente for seguir Jesus… Jesus foi o cara que falou contra os políticos, os poderosos da sua época, contestou-os sem medo. Afinal, você acha que ele… Por que ele foi crucificado afinal? Por que eles queriam flagrá-lo? Por que armaram tudo aquilo? É verdade, alguém pode dizer, que os poderosos de então, do poder político, também eram os poderosos do poder religioso e que as coisas estavam fundidas naquela época da Judeia, apesar do dominador romano — que tinha feito uma aliança para administrar o poder político local, que, como eu disse, estava nas mãos dos escribas, dos fariseus, dos doutores da lei. Quem era aquela gente?

Eu gosto sempre de indicar um capítulo muito especial do Evangelho, que é dos meus prediletos, eu confesso, cito-o exaustivamente, que é Mateus 23. No Evangelho de Mateus — é o primeiro dos Evangelhos —, vai lá e veja o capítulo 23. Ele é, inteiro, de ponta a ponta, Jesus xingando os fariseus. E é xingando mesmo! São vários os versículos em que ele diz: “Escribas e fariseus hipócritas!”, “Sepulcros caiados!”, “Cegos condutores de cegos!”. Ele repete: “Condutores de cegos, como vocês não enxergam?”. E assim ele chama, diz as piores ofensas e faz as piores acusações: “Percorrem milhas para fazer um prosélito e depois fecham-lhe a porta aos céus”; “Transformam-no num filho do inferno pior do que vocês”. Coisas desse tipo. Esse é o Mestre! Esse é Jesus. Esse é o contestador que fala sem medo — e olha que foram três anos até ele ser flagrado.

Então, como é que a gente pode pensar em seguir esse homem se não quer aprender com ele essa coragem, essa possibilidade de dar a cara à tapa?

Esse é um argumento. O outro argumento é o seguinte: se nós que somos os religiosos, [aliás], uma expressão que tenho usado, gosto, me parece boa, se nós que somos os preocupados com o bem — não vamos dizer que somos bons, sabemos que não, estamos longe disso… —, se nós que estamos preocupados com o bem não pudermos falar de política, então como é que vai ser?

[Pensem sobre] quando Jesus disse que o templo estava entregue, tinham feito do templo um covil de ladrões… Eu pergunto: é ou não é uma estratégia das trevas induzir ou fomentar esse pensamento de que a gente não deveria, num ambiente religioso, falar sobre política, porque — olha só —, se as pessoas preocupadas com o bem não falarem sobre política, então conversará sobre política quem? Os outros? Aqueles que realmente querem fazer as maiores excrescências, aqueles que querem fazer corrupção, aqueles que querem usurpar do bem público, a sua função real, e transformar tudo em ganho pessoal, ganho do seu grupo, ganho da sua ideologia?

E aí nós, que somos preocupados com o bem, animados pelos valores cristãos, que são os melhores valores, que deram origem à nossa sociedade, devemos ficar calados diante disso? Essa é mesmo a proposta?

Eu ainda tenho um terceiro ponto, para fazer uma pergunta para você. Como é que assuntos seculares podem adentrar a casa espírita e, entretanto, nós não podemos nos valer da doutrina espírita, das ideias espíritas, mais do que isso, nos valer do conhecimento dos espíritos superiores para olhar sobre todas as questões, inclusive sobre a política?


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Esses dias aconteceu uma coisa interessante; fiquei observando que coisa interessante… — e aqui não vai nenhum juízo de valor, não entro no mérito do fato, mas preciso relatar. A União Espírita Mineira — a Casa dos Espíritos é aqui, em Belo Horizonte —, recentemente, agora pelo mês de agosto, está promovendo um evento cujo nome é “Homoafetividade”. Ou seja, ela está discutindo um assunto eminentemente secular sob o ponto de vista espírita e adotando, para isso — é preciso dizer! —, o jargão que está em voga nos movimentos LGBT.

Então, trazer assuntos seculares para dentro da casa espírita pode, mas nós usarmos o ponto de vista da religião, o ponto de vista da filosofia espírita — é claro que esse é outro aspecto, o fato de que o espiritismo transcende, em muito, [a ideia de ser] apenas, meramente, uma religião… —, a gente não pode usar os aspectos da filosofia espírita para olhar esse assunto? De onde veio essa censura? De onde veio esse pensamento de que tem algum assunto interditado para o conhecimento espírita?

Essa gente, eu acho mesmo, não conhece O livro dos espíritos. Não é possível! Pois lá está a base, não só a base do espiritismo, como é também aquele livro que condensa a filosofia espírita. E Kardec se interessa pelos assuntos os mais diversos. Prova disso, entre tantas outras que eu poderia dar — e aqui eu encerro meu argumento pensando nisso —, é que lá, entre os espíritos mencionados no texto chamado Prolegômenos — que é o prefácio de O livro dos espíritos —, naquela mensagem psicografada que compõe a segunda metade desse texto, estão lá as assinaturas dos espíritos que compõem a falange do espírito Verdade, embora nem todos estejam ali citados. Entre outros nomes, nós lemos os nomes de Sócrates e Platão. Então, esses espíritos fazem parte da falange do espírito Verdade, eles, que versaram tremendamente sobre política, mas [então] esse assunto fica de fora quando eles se interessam pela falange do espírito Verdade, quando eles passam a fazer parte dela? Como pode?


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Sabe o que eu penso, no fim das contas? Para um grande número de pessoas, política se resume à política partidária, que é o aspecto mais rasteiro, posso dizer, mais visível, que provoca mais, que suscita mais disputa de poder, mais paixões.

Mas não é disso, não é disso que o espiritismo fala. Mas fala de uma política! Qual é a relação que Jesus propõe que a gente tenha com as pessoas senão a política do “amai-vos uns aos outros”? Que é o Evangelho senão isso? São os espíritos quem dizem. Me parece que eles têm um bom argumento. O que é o Sermão da Montanha senão a plataforma política de Jesus resumida lá em Mateus, capítulo 5? “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados; bem-aventurados aqueles que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados; bem-aventurados os mansos e pacificadores, porque herdarão a Terra”. Isso é ou não é uma plataforma política?

Da próxima vez que alguém vier com esse papo… (Talvez seja, sei lá — se Chico dizia que espiritismo é religião de católico fracassado, Chico Xavier dizia… —, talvez seja trauma que a pessoa carrega [em virtude] de bobagens que fez no ambiente eclesiástico no que tange ao poder temporal.) Da próxima vez que alguém vier com essa ideia, cite só uma coisa se ficar difícil se lembrar de todo esse argumento: Mateus 23. E veja lá se nós podemos seguir este homem, nos dizer seguidores, nos pretender seguidores de Jesus sem nos posicionar, sem realizar a contestação que ele realiza e nos posicionar frente aos descalabros que estão aí no mundo…! É a nossa obrigação como cristãos.

É por isso que eu convido você a conhecer melhor os livros da série A Política das Sombras, que revela os bastidores do que está acontecendo no Brasil, especialmente neste momento, desde o ano passado. O factual desses livros é impressionante. Agora, por exemplo, em O golpe, se veem lá no último capítulo, aliás, no último texto, que é o epílogo, acontecimentos narrando os bastidores espirituais do que aconteceu na cúpula do Mercosul, que se deu agora, em julho, lá em Mendoza, na Argentina. Para se ter uma ideia da atualidade desses assuntos…

Como é que vamos nos privar do alerta que os espíritos estão dando sobre o que se passa, sobre a disputa de poder que se passa na dimensão extrafísica? Nós não estamos diante de uma guerra entre partidos, entre correntes ideológicas meramente terrenas. Nós estamos numa guerra entre a política do Cordeiro e a política das sombras, que é delineada por gente muito mais “sábia” do que esses personagens que aí estão nas páginas políticas e policiais dos jornais todos os dias; são magos negros, espectros e outros espíritos mais interessados no poder, no caos deste mundo, deste país, o Brasil, em especial. Como é que a gente vai deixar de conhecer isso tudo? O golpe é o terceiro volume da série A Política das Sombras.

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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Relato de Robson Pinheiro sobre Pai João de Aruanda


Pai João, mentor de Everilda Batista, mãe de Robson Pinheiro 


"Pai João esteve sempre muito ligado à minha família. Meus irmãos e eu crescemos como se essa figura fizesse parte do círculo familiar; era um de nós, que nos visitava através da mediunidade de nossa mãe. Médium de efeitos físicos e de psicofonia, com característica inconsciente, ela tinha em Pai João o espírito responsável por sua encarnação.
É interessante que, conforme me recordo, embora utilizasse o nome de Pai João de Aruanda, ele não incorporava como um preto-velho tradicional. Ao contrário, mantinha uma postura ereta, que deixava minha mãe uns 20 a 30cm mais alta – ao menos essa é a impressão que nos causava, tão empinada a deixava!… Olhos muito abertos, quase esbugalhados, mas vivos, penetrantes, punha-se a andar normalmente pela casa, com desenvoltura e até rapidez quando incorporado em Everilda Batista, o que de modo algum lembra a figura popular e quase folclórica do preto-velho. Voz muito firme e sonora, nada havia que denotasse qualquer dificuldade em falar, como é frequente notar em comunicações de pretos-velhos, que muitas vezes se exprimem gaguejando, de modo arrastado. Pai João, não! Minha memória de sua atuação sobre minha mãe é o oposto disso: muito direto, firme, ágil e determinado, de tal maneira que alguns o temiam, até pelas circunstâncias familiares críticas e bem graves em que costumava se apresentar.”

OS ESPÍRITOS EM MINHA VIDA
Robson Pinheiro
páginas 63-64

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terça-feira, 4 de julho de 2017

Desferiu-se o golpe: que golpe?



Porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis da terra e de todo o mundo, para os congregar para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-Poderoso.”
Apocalipse 16:14

O mal se reinventa em mil disfarces, esconde-se em belas utopias e filosofias, lança mão de palavras sedutoras para atrair alvos e, também, propagadores incautos. Quando acuado, o mal se transforma, recompõe-se e reveste-se de novidade para, então, alastrar-se outra vez.

As disputas entre facções do submundo astral se sucedem a pleno vapor. Uma vez abalado o domínio outrora inconteste dos dragões — os maiorais na hierarquia das trevas desde tempos bíblicos —, cada elo da cadeia sombria busca expandir ao máximo seu raio de ação. Manipular as massas e influir no destino de nações inteiras: tal é o apelo, o que excita a soberba dos senhores da escuridão e de seus asseclas no mundo. Entretanto, para além da fogueira de vaidades que arde dos dois lados da vida, revelam-se discretos os verdadeiros artífices do mal. Representam, cada um a seu modo, a ideologia de mil faces que se opõe a tudo que consiste em civilização e progresso — em última análise, a antítese da política divina do Cordeiro. Trata-se da Hidra de Lerna, a criatura mitológica venenosa, cruel e tenaz, haja vista sua decapitação provocar o surgimento de duas cabeças no lugar de qualquer uma das sete originais. Após cada golpe sofrido, perdura a ideologia-criatura, que nunca morre ou parece nunca morrer, revivendo em inúmeros nomes, símbolos e ideias.

Nesse contexto, a nação brasileira permanece sob fogo cerrado; persiste o assalto perpetrado por forças abjetas, hediondas e inescrupulosas. Após a investida frustrada de magos negros e suas milícias, que intentavam consagrar seu domínio a partir do Palácio da Alvorada, a Praça dos Três Poderes converte-se novamente em campo de batalha, embora desta vez se empreguem métodos novos e ainda mais apurados. Não era esperado que a guerra espiritual e de ideias que se trava no século XXI cessasse, em solo brasileiro, com o fracasso da campanha funesta. As fileiras da maldade não capitulariam, por mais fragorosa que tenha sido a derrota imposta pelos guardiões, os agentes da ordem e da justiça a serviço de Miguel.

Apesar do silêncio, da complacência, da passividade e da leniência da maioria dos que se consideram bons, os que deveriam integrar as legiões do Cordeiro, forças operosas zelam pelo bem da humanidade. Até onde poderão avançar sem contar com o envolvimento maciço daqueles que ouvem a Boa Nova e as profecias do Apocalipse há tempos? “Buscai e achareis”, enuncia o princípio cristão. Não é possível inverter a ordem dos fatores: o resultado obtido depende da iniciativa do homem.

A derrocada da Hidra não se dará fugindo-se ao combate; para feri-la de morte, é preciso engajar-se na luta em curso. O Plano Piloto é tão somente um entre tantos tabuleiros onde peças importantes se movimentam e onde se dá a partida de xadrez cósmico, isto é, o parto de uma Terra regeneradora. Os palcos de batalha se espalham, com maior ou menor repercussão, pelo país e ao redor do globo.

Assim como em O partido: projeto criminoso de poder e em A quadrilha: o Foro de São Paulo, O golpe vem descerrar a intensa movimentação extrafísica que se dá nos bastidores da vida imortal, em meio aos círculos de poder e aos antros de maldade, os quais intentam soterrar o Brasil no caos econômico, cultural, político e social. Neste quadrante sul-americano, engendra-se novo golpe contra as forças da civilização; nova ameaça se desenha nos céus — ou nos porões do submundo — a fim de consumar o projeto criminoso de décadas. A quadrilha não esmorece; ao contrário, novamente atenta contra as aspirações superiores. A partir de Cuba, passando por Nicarágua e Venezuela, colima a nação brasileira a fim de vergar todo o continente sob o peso tirânico da Hidra.




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sexta-feira, 26 de maio de 2017

A suprema lei do bem e da caridade




A tarde se esvaía em meio às últimas claridades do sol enquanto o vendaval marcava o início de uma noite tumultuada, entre relâmpagos e trovoadas. Iansã parecia competir com Xangô no reino de Aruanda; raios e trovões se alternavam enquanto a chuva aumentava vertiginosamente, trazendo preocupações para a comunidade já sofrida, que dependia das bênçãos da natureza para sua sobrevivência. Na cabana de Pai João, os filhos e filhas do devotado pai-velho reuniam-se para ouvir do benfeitor as palavras de sabedoria que lhes definiriam os caminhos da vida espiritual. Estavam numa casa onde se adorava a Deus e se praticava a caridade segundo a orientação dos espíritos do bem.

— Sabem, meus filhos? — principiava o pai-velho, incorporado em seu médium. — O caminho da espiritualidade tem muitas faces interessantes. Nego-velho diria que esse caminho é feito de muitas cores, de muitos aromas, de muitas ervas. Diferentemente das religiões, em que cada uma pretende ser a única forma de agradar a Deus; diferentemente de outros filhos espiritualistas, que também querem acreditar que a sua maneira de buscar o Pai é a mais correta, a espiritualidade em nosso país é feita de diversas culturas, da fusão de muitas raças, crenças e concepções religiosas. Afinal, aqui onde nós trabalhamos respeitam-se as diferenças, porque existem inúmeras nuances e visões acerca da espiritualidade.

— Meu pai — perguntou a Efigênia, trabalhadora da cabana do pai-velho. — Eu não entendo a sua forma de falar a respeito da espiritualidade. Queria entender um pouco da umbanda, já que muita gente fala tanto dessa religião e nós sabemos tão pouco…

— É bom entender, minha filha, que não existe apenas uma maneira de cultuar a umbanda. Também
é preciso compreender que umbanda não é apenas uma denominação religiosa; antes de ser assim usada, a palavra sagrada era, acima de tudo, o nome divino da suprema lei do Pai. Aumbandã é lei de caridade, é lei divina. De modo mais particularizado é que foi empregado o nome sagrado para designar o culto atual; daí a umbanda nasceu, com a finalidade sagrada de congregar, sob a bandeira de Oxalá, o povo de Deus disperso.

— E há outras umbandas diferentes das que vemos por aí, meu pai?

— Pai-velho compreendeu sua pergunta, meu filho — respondeu de boa vontade o pai-velho para José Benedito, um dos médiuns da casa. — Não é que existam “outras umbandas”, como diz meu filho. O que há são diversas formas de praticar os ensinamentos da espiritualidade; nesse caso, também diversas maneiras de cultuar os orixás, de adorar a Deus ou de praticar a umbanda. Acima de tudo, filhos, o que importa mesmo não é a forma externa, mas sim a intenção, o que se faz em nome da lei suprema. Uns cultuam a umbanda misturada a certo conhecimento a respeito dos orixás, com um ritual inusitado, ao menos para vocês. Vestem-se com roupas coloridas, cantam numa língua diferente, familiar a certo número de indivíduos. É também chamada de língua de santo ou do povo do santo. Na verdade, trata-se de um idioma antigo, dos povos da mãe África. Esse é o culto umbandista conhecido como omolocô.

Dando um tempinho para que seus filhos pudessem absorver as coisas que ele explicava, o vovô, incorporado em seu médium, falava mansinho, devagar, com paciência digna de um verdadeiro sábio:

— Existem aqueles filhos que praticam uma umbanda com mais simplicidade, como a que vocês
conhecem… Alguns chamam essa variação de umbanda pés-no-chão, ou pés-descalços. Não importam os nomes dados aos cultos; essencial é que todos trabalhem conforme as regras do coração e de maneira a praticar a suprema lei do bem.

“Outros filhos fazem um culto mais refinado, desprovido dos elementos africanos. Tentam desafricanizar a umbanda, no sentido de afastar aquilo que a aproxima dos métodos do candomblé, tais como matança de animais, toque de atabaques e outras características próprias dos rituais de origem africana. Introduziram o estudo entre os médiuns e desenvolveram uma visão mais detalhada a respeito dos orixás e seu simbolismo, formando uma teologia umbandista bastante interessante.” [...]

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Este texto foi retirado do livro Corpo fechado, de Robson Pinheiro pelo espírito W. Voltz, Página 197.





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