sábado, 11 de fevereiro de 2012

Fim do mundo melancólico e polêmico.

A polêmica foi instaurada logo depois da exibição no Festival de Cannes de seu filme Melancolia – lançamento na época, em junho de 2011 – quando o renomado cineasta Lars Von Trier, numa declaração em tom de brincadeira mas sem causar nenhuma graça ao público e tropa de jornalistas que o entrevistava, se disse "nazista". A declaração de péssimo gosto gerou desconforto a todos, inclusive à atriz Kirsten Dunst e outros atores do filme que participavam da sabatina. Von Trier foi banido do festival e é tido como persona non grata por onde passa até hoje, mesmo tendo se retratado por escrito e tentado justificar o contexto em que fez a desastrosa declaração.

O fato é que Melancolia é um filme instigante, que fala do final do mundo de uma forma original e muito humana. Que reflete sobre nossa fragilidade e sobre a finitude do homem. E que mesmo cercado de tanta polêmica e controvérsia – o filme foi proibido em alguns países da Europa, nos Estados Unidos e até na Argentina – ganhou o prêmio de melhor filme europeu de 2011 no European Filme Awards em dezembro em Berlim, festival em que concorreu em outras 7 categorias, ganhando também como melhor fotografia e melhor direção de arte. O filme que teve sua estréia no Brasil em agosto de 2011, acabou sendo abafado e não ganhou muito fôlego. O diretor dinamarquês tem também em seu currículo o outro tão "amado e odiado" Dançando no escuro, que traz a cantora Björk como protagonista.

Uma mistura de ficção científica com atmosfera de filme noir, Melancolia vale à pena ser visto. Tire as polêmicas de lado, as declarações desastrosas do outro e entregue-se ao fim do mundo com um balde de pipocas no colo.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Marcos Leão em São Paulo até sábado com entrada franca.

Venha encontrar com Marcos Leão em uma série de eventos na cidade de São Paulo. Além do bate-papo, o autor e médium fará sessão de autógrafos de seu livro de estréia pelo espírito Calunga, "Você com você". Acesse a programação completa pelo site da editora e informe-se onde e quando participar! Não perca! ENTRADA FRANCA.

  Acesse aqui a programação



terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Viva a língua.

Paris, Londres e Barcelona. Série excepcional de vídeos do EF International Language Centers, mostrando a diferença que a língua faz na absorção de uma determinada cultura. 
Fácil de entender até pra quem só fala o português, afinal de contas a emoção é uma linguagem universal. Direção de arte impecável com um trabalho tipográfico impressionante. Toca de verdade.







segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O que alimenta a sua alma?




por Andrei Polessi

Escrever pra mim não é tarefa das mais fáceis, principalmente por não ser escritor. Mas existe um determinado momento em que uma voz nasce dentro da gente e que, mesmo após muito relutar, temos que soltá-la. Não, não me refiro a ser cantor, ventríloquo, artista performático ou nada parecido. Minha voz interior nasceu dentro da minha barriga, mais precisamente no meu estômago.
Essa voz me dizia sobre gostos, temperos, harmonizações e preparos. Seduzia-me com aromas imaginários e com vontades secretas de gulas intermináveis. Falava sobre sabores nunca antes provados, receitas secretas, restaurantes três estrelas Michelin, de uma especialidade “não-sei-o-que, não-sei-bem-de-onde” – tesouros bem guardados, esperando pelo desbravador de colher em punho.

Comigo foi assim desde pequeno, barriga no fogão, assistindo duas grandes experts trabalharem: minha avó e minha mãe. Nada de técnicas francesas ou demi-glacês. Só o simples dom da combinação certa de ingredientes. O bom-senso da pitada – e quanta sabedoria há numa pitada. O conhecimento empírico passado de geração para geração, do carinho e da responsabilidade para com o ato de preparo dos alimentos. Alimentar é muito mais que simplesmente aquecer o estômago de alguém.
Josimar Melo, crítico e apresentador bon vivant gastronômico, é um dos caras que mais respeito e admiro no mundo das panelas tupiniquins. Ele diz: "Gastronomia é uma aquisição. Uma vez assimilada, a pessoa não consegue se livrar dela, passa a ficar mais exigente e a buscar o prazer que a boa comida proporciona". E é assim que eu me sinto na maioria das vezes. Não me considero um chato, sou realmente exigente, porém, democrático.
Gosto do bife acebolado e do confit de canard. Gosto da galinhada com quiabo e da codorna com risoto de pera. Na verdade, tento levar um pouco da filosofia budista pra cozinha: "O caminho do meio".  Vejo nessa escolha, uma opção clara: honestidade.

Antes de tudo, a comida ter que ser saborosa. Simples assim. Mas esta premissa esta sendo esquecida. Aquele “pseudo restaurante” francês que cobra os olhos da cara por uma culinária sem qualidade e com ingredientes de terceira, o famoso chef que todos aplaudem pelo que sua assessoria de imprensa construiu e não seus pratos. Isso é muito frequente e me causa certa indigestão.
Acho que muitos se esquecem que a reunião gastronômica, seja em casa, seja num restaurante, é uma experiência sensorial completa, não só dos paladares. Sabor é o mínimo, depois vem todo o resto. Visual, olfativa, sonora (será que existe algo pior que sentar à mesa com som ligado no último volume em alguma rádio FM?!)

Alimentar é, antes de qualquer coisa, um ato de doação total, de entrega e devoção. Em primeiro lugar é oferecer ao outro, energia imprescindível às células, ao sangue, ao corpo, para que funcionem e trabalhem direito. É manter a máquina azeitada e rodando bem.
Em segundo lugar, alimentar é acalentar a alma, oferecer aquela sensação de proteção e segurança que só se sente depois de uma boa refeição. Sem dúvida remonta ainda de nosso reflexo ancestral evolutivo de perpetuação da espécie, onde alimentados, sabemos que teremos força para lutar por nossas vidas e para proteger nossas crias.
Já nosso primeiro alimento, o leite materno, traz em si doses de amor, de cumplicidade e estreitamento fundamental na relação entre mãe e filho. Pesquisas mostram que as crianças que mamam no peito, desenvolvem maior autoestima, se tornando adultos mais seguros e confiantes. Isso sem falar na carga de imunidade transmitida pelo leite da mãe, fazendo desse primeiro alimento uma verdadeira vacina contra diversos tipos de doenças.

Cozinhar é também meditar, se entregar num mantra silencioso e mental de repetição da receita, das combinações, do picar, do mexer e do imaginar. De esvaziar a mente buscando a verdade a cada prova da colher: “Mais sal? Mais pimenta? Mais amor?!” 
O alimento movimenta o mundo, molda nossas culturas, costumes e nossa vida. Há quem diga que a fome é o melhor tempero. Eu acrescentaria o carinho.
A honestidade na proposta de um prato, de um vinho que acompanhe, de um ambiente que abrace, tudo preparado com cuidado, com atenção, com amor. Aquele velho bom senso da pitada. Seja no preparo de um prato simples e barato, seja num clássico da cozinha internacional com ingredientes raros. Afinal de contas, tudo o que se quer ao se sentar numa mesa, é passar bons momentos e ter uma experiência memorável e construtiva. Que nos faça entender um pouco mais sobre nós mesmos, conversando, rindo e interagindo com amigos e família. E que melhor guia, se não a gastronomia pra nos levar por esses caminhos?

Vejo a indigestão como algo extremamente natural. Já dizia Victor Hugo que "a indigestão é uma criação de Deus para impor uma certa moralidade ao estômago".
Nesse ponto temos que convir, tem hora que é melhor ficarmos só na canjinha. Afinal de contas, cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém! Pelo menos não na primeira meia-hora.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

“Ó o fninho aírrmão”



por Leonardo Möller editor

Acabara de passar em frente a um local que, por mais tarde que eu chegue do trabalho, sempre tem um movimento particular. Viaturas policiais, casais ou adultos do lado de fora da grade, na calçada, e alguns lá dentro, esperando qualquer coisa. Frequentemente, também, algum jovem ou adolescente. De dia, a mesma coisa. É no quarteirão do meu apartamento e caminho obrigatório ao descer do ônibus, de volta pra casa. Hoje parei para ler a placa, pela primeira vez nos poucos meses em que moro ali. O nome é enorme, como só repartições públicas sabem ter, mas lá no meio dele aparecia: Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional. Eu nem sabia que isso existia.

Uns passos mais, após contornar a esquina, vejo um guri — como dizemos em minha terra — magricela, com uma camiseta surrada e, mesmo à distância, visivelmente maior que o número dele. Bem maior. Logo reparo que está descalço. No centro da cidade, pra lá de 10 da noite, aquele jeito de caminhar gingado, descalço na rua… Não podia ser boa coisa. Os pés dele eram pretos, escuros mesmo. E, como ele não era negro nem de longe, o pretume fazia com que se destacassem, formando uma espécie de bota de sujeira sobre a pele. Ao redor, tudo era obscuro; o comércio fechado só nos deixava iluminados pelas lâmpadas fracas e antigas dos postes daquela região, um tanto maltratada. Mesmo assim, como caminhávamos em sentido contrário, um em direção ao outro, a cena se tornava cada vez mais nítida.

Graças a Deus — pensei —, antes de cruzar com ele cheguei ao portão do meu prédio. Parei de costas para a rua e, enquanto aguardava que o porteiro abrisse a porta de vidro, acompanhei pelo reflexo se o tal guri ia seguir caminho ou tentar me roubar, pedir alguma coisa… sei lá. É claro, aparentando total segurança e destemor — fingidos.

Cinco a dez passos depois de me ultrapassar, parado que eu estava diante da porta ao longo daqueles 15 segundos que não acabavam nunca, ele se vira para trás e balbucia qualquer coisa em minha direção. Estica o braço, apontando para onde eu estava, e diz de novo as mesmas palavras. Só entendi isto: “Ó o fninho aírrmão”.

Minha reação? Não respondi, fingi que não era comigo, torci que a porta abrisse logo. “Cadê o porteiro, que não desgruda os olhos do futebol sagrado de toda quarta-feira à noite, neste país?”

Ufa! Entrei e lacrei o portão de vidro atrás de mim. O clique da fechadura pareceu-me o ruído mais agradável do dia. Definitivamente, eu não saberia como interagir com aquela figura estranha.

Cumprimentei o porteiro, entrei no elevador e, dentro dele, subitamente me dei conta… Da única palavra que havia compreendido, deduzi o restante da frase do guri: “Olha o interfoninho aí, irmão”.

E não é que o guri me chamou de irmão? E não é que ele queria, a seu modo, ajudar? Logo a mim, que não soube ter outra reação perante ele — de costas pra ele — que não o receio ou o susto? Naquele instante, o tratamento com pinta de gíria ganhava outro sentido para mim. Irmão. O guri se dizia — e era — meu irmão.

Irmão. Essa palavra, clara porque pronunciada com o erre bem marcado, quase à moda carioca, me fez lembrar O descobrimento, de Mário de Andrade, particularmente o trecho que conheci na voz de Ferreira Gullar.

Abancado à escrivaninha em São Paulo
na minha casa da Rua Lopes Chaves
de supetão senti um friúme por dentro
Fiquei trêmulo, muito comovido
com o livro palerma olhando pra mim
Não é que me lembrei que lá no norte, meu Deus!
muito longe de mim
na escuridão ativa da noite que caiu
um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos,
depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
faz pouco se deitou, está dormindo.
Esse homem é brasileiro que nem eu.

Ao entrar em casa, meu apartamento novo pelo qual estou enamorado, pensar sobre o episódio foi inevitável. Para mim, conviver com cenas como aquela do guri só é possível graças ao espiritismo. Entender que há alguma justiça e alguma forma de amor a orquestrar ambas as realidades — a minha e a dele — sem a reencarnação e sem outros elementos que o pensamento espírita oferece… Eu não posso; nunca pude. Antes de integrar uma instituição que desempenha um trabalho beneficente que considero relevante, antes de cooperar com ele, antes de me dedicar a uma profissão que tem por finalidade difundir ferramentas para compreensão dessa realidade, à luz da imortalidade… Para mim, era impossível.

E aí brotou minha oração de gratidão da noite, que se encerra com este texto e, mais importante, com a vontade renovada de encarar, amanhã e depois, todos os desafios que ficaram me esperando na Casa dos Espíritos e na Casa de Everilda Batista.

E pra você, o que torna possível encarar a parte dura do dia a dia?



quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Felicidade é só questão de ser.

Marcelo Jeneci e Laura Lavieri no clipe de Felicidade. Um dos maiores sucessos de Jeneci, um artista conhecido como integrante da nova safra de músicos paulistas, os "novos paulistas". Simplicidade e verdade com a beleza que só Jeneci consegue, fazendo o clipe na casa da avó em Pernanbuco. Fica a vontade de dançar na chuva quando a chuva vem.