Mostrando postagens com marcador Degustação Livros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Degustação Livros. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Em viagem a terra estrangeira

por Leonardo Möller, editor da Casa dos Espíritos

    Várias foram as reflexões suscitadas nos bastidores da preparação do novo livro do espírito Ângelo Inácio, Os viajores: agentes dos guardiões. Conheça algumas delas e um pouco do que encontrará na obra inédita do médium Robson Pinheiro.

“Todo mundo quer voar além/ Mas é preciso aprender”
Paulinho Pedra Azul

Durante a preparação do texto de Os viajores, fui questionado por dois voluntários da UniSpiritus — a qual reúne as três instituições beneficentes fundadas por Robson Pinheiro — acerca da formação de coordenadores tanto de reuniões mediúnicas quanto de determinada tarefa de grande responsabilidade. Desempenhar ambas as funções exige não apenas conhecimento técnico, mas também, entre outras aptidões, sintonia afinada com a equipe espiritual e maturidade para tomar decisões graves, que afetam diretamente a qualidade do trabalho prestado. Em momentos distintos do mesmo dia, a dúvida era semelhante: “Por que não preparamos mais pessoas? Afinal, com mais dirigentes, poderíamos ampliar o número de atendimentos, diminuir a espera imposta aos consulentes, acomodar mais médiuns nas atividades e, enfim, aumentar a produtividade”. Nas entrelinhas, uma insinuação ou, talvez, suspeição: seria uma espécie de ciúmes ou “reserva de mercado” da parte dos encarnados à frente das atividades que impedia tal expansão, certamente justificada pela demanda?

Há detalhes da biografia e da atuação voluntária dos autores das perguntas que dão ao contexto ainda mais peculiaridade, porém, deixando de lado os aspectos particulares, ocorreu-me depois que determinada noção perpassava o pensamento de ambos. Possivelmente, trata-se de um conjunto de ideias comum a muitas pessoas engajadas em atividades de natureza espiritual. Foi então que me dei conta: essa é exatamente a motivação do novo livro de Ângelo Inácio, muito embora, seguramente, não seja a única. Pode se desdobrar em diversos pontos a serem examinados essa convicção de fundo que detectei naquele questionamento.


ESPÍRITO E MATÉRIA


Um dos enganos comuns ao se analisar a administração de conhecimentos e faculdades de ordem transcendental é aplicar critérios puramente materiais sem ressalva, isto é, sem fazer certa adaptação ao assunto em pauta. A diferença mais notória é que, no mundo profissional, selecionam-se indivíduos com perfil mais adequado à função a ser ocupada mediante determinada remuneração. No âmbito do trabalho com os espíritos, recrutam-se colaboradores principalmente conforme sua disposição, levando-se em conta as aptidões disponíveis no universo restrito de voluntários que se engajam e se comprometem com a causa. Há uma máxima que resume esse princípio: Jesus capacita aqueles a quem chama. 

Se porventura ocorre a alguém que seria no mínimo mais prático chamar os capacitados, recomendo a leitura da parábola do festim de bodas (Mt 22:1-14). Ali o próprio Galileu enuncia a mecânica que rege a vocação de servir à causa do Cordeiro, pois, ao iniciar a história, explica: “O reino dos céus é como um rei que preparou um banquete de casamento para seu filho” (Mt 22:2). Ou seja, ele afirma que as coisas funcionam na Terra segundo os princípios arrolados na sequência, uma vez que reino dos céus refere-se às questões humanas, diferentemente da expressão reino de Deus, também frequente nos evangelhos.


TREINO OU INICIAÇÃO?


Outro equívoco contido na noção daqueles dois amigos é o de que, para os assuntos do espírito, seria o bastante treinar as pessoas, a ponto de dominarem certos conhecimentos ou ao menos manejá-los com relativa destreza. Novamente, tal perspectiva, corriqueira na vida material, não pode ser adotada em tópicos de âmbito mediúnico ou espiritual sem a devida adaptação. Há muito mais fatores em jogo; por vezes, estes preponderam a ponto de se tolerar até a falta de perícia do candidato, devido à presença de outras virtudes. Aliás, a ciência espírita demonstra que, entre faculdades extraordinárias e qualidades morais, os bons espíritos, na impossibilidade de conjugar ambos os atributos, tendem a preferir o último deles em quem elegem para lhes servir de intermediário.[1] Caso conhecimento técnico fosse o suficiente, os apóstolos não teriam incorrido nos enganos fragorosos que cometeram após três anos de aprendizado com o próprio Mestre; entretanto, se fosse fundamental, Jesus não teria escolhido simples pescadores como Pedro e André para o seguirem.

Quando respondi às indagações dos colegas, apontei dois elementos centrais que lhes passaram despercebidos. Maturidade é o primeiro deles. Está aí uma conquista que só o tempo pode dar — mas nem sempre a concede; não mesmo! — e que não se ensina em aulas. Ela não garante imunidade a erros, até porque é passível de crescer sempre, porém, sem o mínimo de maturidade, é certo que o destino, nas coisas espirituais, não será nada promissor.

Ao lado desse aspecto, é preciso lembrar a profecia: “Hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos” (Mt 24:24). As provas espirituais às quais é submetido quem é chamado a servir com Jesus, a fim de que se faça eleito, são fato conhecido. Em minha trajetória à frente de equipes mediúnicas e na direção de uma casa espírita desde 1998, já testemunhei a derrocada ou a deserção de grandes trabalhadores, nos quais muito investimento dos espíritos havia sido feito, tanto quanto a mera deliberação, da parte de alguns desses encarnados, de que preferiam não assumir tamanhas atribuições naquela altura. Por óbvio, os ataques de agentes das sombras e as provas da vida são diretamente proporcionais às responsabilidades e ao volume de investimento do bem. Os colaboradores de valor que acompanho há anos e décadas foram alvejados por desafios e empecilhos que me fazem admirar sua persistência — e que lhes deram, vez após outra, todos os pretextos para que deixassem tal compromisso, o qual, apesar disso, não abandonaram.


ESCOLHAS


Uma das passagens marcantes do livro Os viajores é a da médium Maíra, convidada pelos guardiões, espíritos ligados às forças da justiça, a atuar em parceria com eles. Após Maíra submeter-se a muitas noites de treinamento sob a supervisão deles, em desdobramento — ou seja, projetada, em espírito, na dimensão extrafísica —, é num diálogo travado com o espírito Pai João de Aruanda que seu destino é selado. A despeito da intervenção do animista Raul, bem mais experiente, ela mantém sua decisão, que os espíritos superiores sempre, sempre sabem respeitar.

Acompanhamos também, ao longo de um número maior de capítulos, a trajetória da personagem Diana. Desde os primeiros episódios de manifestação de sua mediunidade, quando passa certo sufoco no exercício da sua profissão — a fim de que se suscitasse seu despertar para as questões espirituais —, até as provas árduas que enfrenta na vida pessoal — no intuito de provocar seu amadurecimento —, vemos que se tornar agente dos guardiões não é uma escolha a ser feita de forma leviana, tampouco uma decisão trivial, diante da qual se possa hesitar e oscilar entre esta ou aquela posição, num vaivém que se traduz em indefinição. Nesse ínterim, passam-se noites e mais noites, horas e mais horas de experiências que têm por finalidade capacitar a cadete em formação, ao mesmo tempo que lhe esclarecem quanto às características e aos percalços inerentes ao serviço na companhia dos representantes da justiça divina.

Já no capítulo inicial, os personagens principais do livro se encontram numa conferência na cidade de Aruanda, que reúne numerosos espíritos de variada procedência e na qual são debatidas as iniciativas gerais em prol da chamada transição planetária, isto é, o momento de transformação global por que passa a Terra. Allan Kardec, o codificador do espiritismo, explicou esse estágio como sendo os sinais dos tempos.[2] Em tal reunião, as contribuições dos encarnados, as obras de reurbanização extrafísica e outros temas mais são objeto de discussão dos espíritos.

Após se estabelecerem diretrizes segundo as quais novas investidas deveriam ser encampadas, um destacamento composto por aqueles personagens parte rumo a uma importante empreitada. Nesta, descrita em detalhes na obra, dedicam-se com ardor à formação de médiuns e parceiros para atuar em conjunto com os guardiões e os demais espíritos envolvidos nos trabalhos dessa hora de renovação planetária.


PRAZER EM CONHECER


Em meio às histórias e às peripécias envolvendo Maíra, Diana, Rosário, Raul e outros encarnados, grande volume de conhecimento é oferecido por personagens já apresentados aos leitores por Ângelo Inácio, especialmente Pai João de Aruanda — o pai-velho chamado João Cobú —, Caboclo Tupinambá e Maria Escolástica, a antiga ialorixá reverenciada sob o nome de Mãe Menininha do Gantois. Num dos tópicos mais instigantes, esclarecem por que os nomes de falanges ou categorias de pretos-velhos geralmente são assinalados por sobrenomes como de Aruanda, da Guiné, da Cabinda ou de Angola, entre outros.

Um dos elementos principais que perpassa a trama de Os viajores é a necessidade premente de aprender sobre a geografia, as características e as leis que regem os planos inferiores — que constituem, em última análise, o local onde o animista se verá tão logo saia do corpo físico por meio do desdobramento. Qualquer um que deseja ultrapassar com o mínimo de desenvoltura e lucidez os portais da dimensão astral, visando a uma atuação proveitosa com emissários do Alto, deve estar consciente dos elementos da natureza extrafísica e dos habitantes desse mundo cheio de particularidades.

Como pode alguém pretender colaborar com os espíritos de forma eficaz se não for capaz de distinguir formas-pensamento daninhas nem elementais artificiais, seres dotados de vida própria que representam ameaça àquele viajor que penetrar os meandros do submundo? Aprofundando-se as informações já descritas em Legião — obra de Robson Pinheiro que inicia a trilogia O reino das sombras —, conhecem-se mais propriedades de criações mentais nefastas como aquelas com feições de baratas, lacraias, escorpiões e formigas, mas, também, as serpentes e os vampiros, mencionados pela primeira vez pelo autor espiritual. Estes últimos, aliás, provocaram nos bastidores da edição da obra uma discussão sobre terminologia, assunto sempre envolto em dúvidas no tocante aos temas espiritualistas. Afinal, até então, o vocábulo vampiro designava apenas o espírito especialista em drenar energias, porém, agora se revela que esse termo também é usado para indicar um elemental que, possivelmente, poderia ser denominado sanguessuga, não tivesse já se consagrado com aquele nome.

Uma espécie de habitante dos pântanos do plano inferior a que o leitor é apresentado são as chamadas sombras, que, na verdade, consistem em massas vitais que adquirem aspecto de humanos desencarnados, mas não os são. Formam-se a partir de cascões astrais, isto é, resíduos de corpos astrais e etéricos em decomposição, e condensam emoções em dose intensa e de baixíssima vibração. Para os médiuns em desdobramento, representam grande ameaça, pois com eles podem estabelecer conexão e, então, levá-los a mergulhar em universo de pensamentos desconexos, com evidentes prejuízos à sua atuação e até à sua saúde.

Em dado ponto desta descrição sumária dos temas abordados em Os viajores, há quem possa ficar com a impressão equivocada de que tais assuntos interessam prioritariamente — e, talvez, unicamente — àqueles que intentam agir em regime de parceria com os espíritos. Ledo engano. Como descobrimos ao longo do livro, muitos são os encarnados que, ao desdobrarem, acabam sendo atraídos para espaços como os pântanos do submundo por questões de afinidade. Claro: além de exigirem atenção da parte dos agentes em formação, essas pessoas constituem motivo de alerta a todos que se interessam por temas espirituais, uma vez que o conhecimento é capaz de esclarecer sobre os riscos a que determinados comportamentos e atitudes adotados em vigília podem expor o indivíduo. Afinal de contas, todos nos desprendemos do corpo físico durante o sono, em alguma medida. Nesse momento, por sintonia vibratória, buscamos e chegamos, na dimensão do espírito, a ambientes compatíveis com nosso estado, em conformidade com o que cultivamos. De fato, como se vê, é preciso aprender a viajar.



Leonardo Möller

Editor da Casa dos Espíritos, professor e coordenador de reuniões mediúnicas na Casa de Everilda Batista e instrutor do Master em Apometria, curso com Robson Pinheiro.


[1] “Influência moral do médium. Perguntas diversas”. In: KARDEC, Allan. O livro dos médiuns ou guia dos médiuns e dos evocadores. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2011. p. 362-363, item 226, §8.
[2] “Os tempos são chegados. Sinais dos tempos”. In: KARDEC, Allan. A gênese, os milagres e as predições segundo o espiritismo. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2011. p. 513-533, cap. 18, itens 1-26.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Diversas faces da umbanda

ph: fb.com/bassafotofilme
“Enquanto Erasmino fugia da ajuda espiritual, os filhos de fé de Odete procuraram a tenda de umbanda indicada pela mãe. A princípio, quatro deles foram até o local para reconhecer o ambiente e pedir permissão aos dirigentes para realizarem uma pesquisa de campo.

— Claro que podem participar conosco, filhos — respondeu a coordenadora responsável à indagação dos filhos de fé enviados por Mãe Odete. — Aqui, somos abertos à participação de todos os interessados. Como vocês já sabem, a única coisa que pedimos é o respeito ao ambiente e aos nossos guias e orixás. No mais, não é preciso ensinar reza para padre — comentou D. Manuela, toda risonha com os visitantes.

— Agradecemos a simpatia e a permissão para que possamos participar, minha mãe — essa era a forma respeitosa de se dirigir à orientadora espiritual da tenda umbandista.

— Vocês chegaram num momento propício. Vamos nos reunir, justamente, agora, para uma aula sobre umbanda, que será ministrada por nós, os encarnados, e também contará com a participação dos espíritos — bom, pelo menos, assim esperamos! — caso eles queiram dar sua contribuição em nossos estudos.

— Então, podemos participar?

— Como não? São meus convidados. Venham, entrem em nosso salão.

— Sentimo-nos verdadeiramente honrados com tanta generosidade, Mãe Manuela.

Raphael, um dos filhos enviados por Odete, reparou na extrema simplicidade do ambiente. Não viu estátuas de santos, como no gongá de Odete. Também procurou símbolos e outros apetrechos de trabalho, como estava acostumado a ver na casa de caridade de onde vinha; mas nada. Ali, a decoração era mínima, singela. Compunham o altar, dispostos sobre uma toalha de linho alvíssimo e engomado, tão somente uma vela acesa, ladeada por dois jarros de flores, sintetizando tudo o que os olhos pudessem apreciar no ambiente. Além disso, um discreto aroma de rosas era percebido na atmosfera da tenda, da qual emanava candura e, ao mesmo tempo, certa solenidade; o salão inspirava respeito e reverência sem ser imponente, e era acolhedor. Viam-se várias pessoas sentadas, em oração, todas vestindo branco. Raphael olhou de maneira discreta para os outros três companheiros que vieram com ele. Todos notaram as discrepâncias marcantes, logo no início. Tudo era bastante diferente do que se observava na tenda onde atuavam. Sentaram-se. Logo após, um homem assumiu a frente e introduziu as atividades:

— Estamos aqui para nossa aula sobre a umbanda e seus mistérios. Recebemos, com o máximo carinho, nossos convidados e desejamos que se sintam bem e à vontade entre nós. Para começar, vamos dar a palavra ao nosso irmão de fé, Roberto Assis, que iniciará sua palavra hoje, pela primeira vez, em nossa tenda.

Após agradecer pela oportunidade e saudar a todos, Roberto, que teria apenas alguns minutos, iniciou sua fala:


Leia também:

— Meus irmãos, caros visitantes, hoje quero abordar um tópico que costuma gerar desconforto em nosso meio umbandista. Refiro-me ao fator consenso entre os praticantes da nossa sagrada umbanda. É compreensível que uma religião que tem tantas faces, tantas formas de se apresentar ao público, ao mundo, encontre dificuldade ao estabelecer uma posição consensual sobre determinado ponto, sobretudo, se levarmos em conta a grande variedade de seus integrantes e adeptos. Digo mais: tenho observado, em minhas pesquisas, que nem mesmo os espíritos chegaram ao consenso sobre diversos pontos, uma vez que muita coisa depende da interpretação, do fator cultural e — por que não dizer? — até do nível de escolaridade de quem estuda, lê e interpreta as questões relativas à umbanda. É claro que não defendo que os títulos acadêmicos mundanos tornem alguém, automaticamente, mais capaz de entender os preceitos sagrados; muito pelo contrário, como, tantas vezes, nos ensinou Jesus. Mas ninguém há de acreditar que uma boa educação básica não desempenhe uma função essencial na compreensão da doutrina umbandista, e até mesmo da prática.

‘Acredito que, entre todos os segmentos filosóficos, religiosos ou de outra natureza qualquer, essa diversidade na maneira de ver as coisas e as variadas formas de interpretá-las seja algo muito comum. Por certo, não é somente na umbanda que isso ocorre. 


Vou dar como exemplo a questão relativa aos orixás cultuados em nossa sagrada umbanda. Em algumas vertentes, aceitam-se somente os sete orixás principais; os demais sequer são mencionados, embora sejam respeitados por diferentes segmentos umbandistas. Por outro lado, existem orixás habitualmente cultuados em barracões de candomblé e que são admitidos e reverenciados em numerosos templos de umbanda. Como exemplo, cito orixás como Oiá, Oxumarê, Nanã e até mesmo nosso pai Obaluaê, ou o velho Omulu. Nem todas as vertentes de umbanda orientam seus seguidores e médiuns a respeito deles, mas nem por isso podemos dizer que um ou outro lado estejam equivocados.

‘Outro caso que merece análise é o fato de médiuns fumarem e beberem enquanto estão incorporados. Há quem defenda que elementos como o fumo e o álcool são instrumentos de trabalho necessários, a fim de que os espíritos possam realizar sua tarefa com médiuns umbandistas. Entretanto, outra corrente, que ganha cada vez mais espaço entre nós, sustenta que nossos guias não precisam de elementos tão materiais assim para desempenhar suas atividades, seja de descarrego ou qualquer outra. Então, perguntamos: qual das duas posições está correta? Quem está com a razão?

‘De minha parte — eu, que sou um simples pesquisador — agradeço muito à Mãe Manuela, que nos dá oportunidade de discorrer sobre temas espinhosos sem nos obrigar a nos conformar com este ou aquele ponto de vista. Para mim, pessoalmente, encaro essa diversidade de opiniões como condutas claras que variam em função da necessidade do público, deste ou daquele terreiro, mas que variam, também, muito especialmente, de acordo com o dirigente material dos trabalhos. Ou seja, em minha opinião, os médiuns e dirigentes umbandistas imprimem em suas atividades forte componente pessoal, conforme sua formação sacerdotal e seus conceitos particulares acerca do que os próprios guias fazem. De tal modo que notamos, em diversos centros umbandistas, muitas características nem sempre advindas, necessariamente, da orientação espiritual, mas como produto do pensamento do dirigente material.’

— Mas isso não constitui perigo na condução dos trabalhos da umbanda, meu amigo? — indagou um dos presentes, nitidamente, interessado no assunto, uma vez que acompanhara outras palestras na casa, em dias anteriores. (…)”


Antes que os tambores toquem
Robson Pinheiro pelo espírito Ângelo Inácio
Páginas 219-225

Adquira este e outros títulos de Robson Pinheiro em www.livrariarobsonpinheiro.com.br

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

O mal é sempre o mal

O mal…

Muitas vezes ele se mostra abertamente, conforme acreditado pela multidão, sem disfarces, sem procurar mistificar sua presença com aparências de santidade. Sua fealdade mostra-se em toda a sua grandeza.

Sem nenhum escrúpulo, em determinadas situações se apresenta como se algo ou alguém estivesse ameaçando sua “estabilidade política”. Mostra-se sem medo nem piedade, numa guerra declarada a qualquer coisa, ser ou situação que se afigure como elemento de progresso.

Em outras ocasiões ele se disfarça, pois precisa imiscuir-se em redutos contrários a seus propósitos. O mal se mascara ardilosamente e pouco a pouco penetra na mente, nos pensamentos, nas emoções dos representantes do progresso e das instituições que patrocinam a evolução do pensamento humano. Silenciosamente faz sua obra, como se fora um inseto imperceptível que vai corroendo certas ideias, basilares à política que lhe é oposta. Escondido sob um manto de aparente humildade, o mal vai se alastrando, tendo como armas as palavras suaves, sutis e os pensamentos dissimulados com o verniz da educação e conceitos distorcidos da verdade, da ética e da moral.

Alguns se encantam com tal artimanha, naturalmente encoberta a fim de produzir uma hipnose momentânea. Outros se assombram com sua desfaçatez e o requinte do disfarce apresentado, escondendo sua essência atrás de toda uma filosofia, aparentemente muito bem elaborada. Muitos se deixam conduzir por sua sagacidade e seus encantos, que sabem, como tentáculos tenebrosos, fixar-se nas mentes de quem se deixa seduzir por palavras, conceitos e vocabulários que escondem sua intimidade.



Leia também:

Mas o mal é sempre o mal. Não importa que nome tenha ou como seja conhecido. Não há disfarce amplo o bastante para encobrir sua natureza destruidora e daninha, desde que haja interesse em conhecer a verdade. Não há encantos que obscureçam sua ação quando há sintonia com os propósitos elevados da vida.
Contudo, nenhum ser o intimida quando está determinado a agir e, como um verme, começa a corroer de dentro para fora, destruindo a imunidade espiritual de qualquer criatura.

Ele vem, de mansinho e lento. Manhoso, como uma célula cancerosa que se aloja no meio de outras sadias. Pouco a pouco corrói, irradia-se e despe-se assim de seus disfarces. Realiza gradativamente sua destruição — programada, organizada, demoníaca. Enfim, mostra-se pleno, vigoroso, insaciável. Seu magnetismo de terrível beleza engana e encanta a quem não lhe conhece as profundezas.

O mal…
Ele esconde-se sob o manto da escuridão — dos senhores da escuridão.

Senhores da escuridão

Robson Pinheiro pelo espírito Ângelo Inácio

Trilogia O Reino das Sombras, vol. 2Prefácio, páginas 13 a 15

Adquira este e outros títulos de Robson Pinheiro em http://www.livrariarobsonpinheiro.com.br/ 


ph: http://fb.com/bassafotofilme

terça-feira, 4 de julho de 2017

Desferiu-se o golpe: que golpe?



Porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis da terra e de todo o mundo, para os congregar para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-Poderoso.”
Apocalipse 16:14

O mal se reinventa em mil disfarces, esconde-se em belas utopias e filosofias, lança mão de palavras sedutoras para atrair alvos e, também, propagadores incautos. Quando acuado, o mal se transforma, recompõe-se e reveste-se de novidade para, então, alastrar-se outra vez.

As disputas entre facções do submundo astral se sucedem a pleno vapor. Uma vez abalado o domínio outrora inconteste dos dragões — os maiorais na hierarquia das trevas desde tempos bíblicos —, cada elo da cadeia sombria busca expandir ao máximo seu raio de ação. Manipular as massas e influir no destino de nações inteiras: tal é o apelo, o que excita a soberba dos senhores da escuridão e de seus asseclas no mundo. Entretanto, para além da fogueira de vaidades que arde dos dois lados da vida, revelam-se discretos os verdadeiros artífices do mal. Representam, cada um a seu modo, a ideologia de mil faces que se opõe a tudo que consiste em civilização e progresso — em última análise, a antítese da política divina do Cordeiro. Trata-se da Hidra de Lerna, a criatura mitológica venenosa, cruel e tenaz, haja vista sua decapitação provocar o surgimento de duas cabeças no lugar de qualquer uma das sete originais. Após cada golpe sofrido, perdura a ideologia-criatura, que nunca morre ou parece nunca morrer, revivendo em inúmeros nomes, símbolos e ideias.

Nesse contexto, a nação brasileira permanece sob fogo cerrado; persiste o assalto perpetrado por forças abjetas, hediondas e inescrupulosas. Após a investida frustrada de magos negros e suas milícias, que intentavam consagrar seu domínio a partir do Palácio da Alvorada, a Praça dos Três Poderes converte-se novamente em campo de batalha, embora desta vez se empreguem métodos novos e ainda mais apurados. Não era esperado que a guerra espiritual e de ideias que se trava no século XXI cessasse, em solo brasileiro, com o fracasso da campanha funesta. As fileiras da maldade não capitulariam, por mais fragorosa que tenha sido a derrota imposta pelos guardiões, os agentes da ordem e da justiça a serviço de Miguel.

Apesar do silêncio, da complacência, da passividade e da leniência da maioria dos que se consideram bons, os que deveriam integrar as legiões do Cordeiro, forças operosas zelam pelo bem da humanidade. Até onde poderão avançar sem contar com o envolvimento maciço daqueles que ouvem a Boa Nova e as profecias do Apocalipse há tempos? “Buscai e achareis”, enuncia o princípio cristão. Não é possível inverter a ordem dos fatores: o resultado obtido depende da iniciativa do homem.

A derrocada da Hidra não se dará fugindo-se ao combate; para feri-la de morte, é preciso engajar-se na luta em curso. O Plano Piloto é tão somente um entre tantos tabuleiros onde peças importantes se movimentam e onde se dá a partida de xadrez cósmico, isto é, o parto de uma Terra regeneradora. Os palcos de batalha se espalham, com maior ou menor repercussão, pelo país e ao redor do globo.

Assim como em O partido: projeto criminoso de poder e em A quadrilha: o Foro de São Paulo, O golpe vem descerrar a intensa movimentação extrafísica que se dá nos bastidores da vida imortal, em meio aos círculos de poder e aos antros de maldade, os quais intentam soterrar o Brasil no caos econômico, cultural, político e social. Neste quadrante sul-americano, engendra-se novo golpe contra as forças da civilização; nova ameaça se desenha nos céus — ou nos porões do submundo — a fim de consumar o projeto criminoso de décadas. A quadrilha não esmorece; ao contrário, novamente atenta contra as aspirações superiores. A partir de Cuba, passando por Nicarágua e Venezuela, colima a nação brasileira a fim de vergar todo o continente sob o peso tirânico da Hidra.




Gostou da publicação? Ficou interessado no livro? A partir do dia 11/7/2017 estará disponível a pré-venda com várias ofertas imperdíveis em: LivrariaRobsonPinheiro.com.br

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sinopses 3º Vol. Trilogia O Reino das Sombras

Para quem está ansioso para ter seu livro em mãos, divulgamos aqui, em primeiro lugar, as duas sinopses oficiais do novo livro,  A Marca da Besta. 

Sinopse 1
Espíritos milenares dedicados ao mal: conhecer suas artimanhas é tornar-se forte para combatê-los. Penetre na dimensão dos dragões e descubra sua ação na política, na economia, na imprensa, por meio de agêneres e intricados artifícios. Lado a lado com os guardiões, representantes da justiça divina, desvende essa trama de implicações mundiais e venha fazer luz sobre as trevas.


Sinopse 2
“E houve guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão. E o dragão e os seus anjos batalhavam, mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus” (Apocalipse 12:7-8). Se você tem coragem, olhe ao redor: chegaram os tempos do fim. Não o famigerado fim do mundo, como querem alguns. Mas o fim de um tempo – para os dragões, para o império da maldade. E o início de outro, para construir a fraternidade e a ética. Um romance, um testemunho de fé, que revela a força dos guardiões, emissários do Cordeiro que detêm a propagação do mal. Quer se juntar a esse exército? A batalha já começou. 

Quer ler mais? Baixe a degustação: clique aqui.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Faça o download da degustação do novo livro A Marca da Besta

O novo blog da Casa dos Espíritos disponibliza, em primeira mão, a degustação do novo livro A Marca da Besta.

Quem se cadastrou até 27/7, receberá em casa a versão impressa; mas, quem não se cadastrou, também pode aproveitar a prévia do livro ao fazer download pelo blog!

Para fazer o download, clique aqui.