sábado, 27 de outubro de 2018

Carta de Tancredo Neves psicografada por Robson Pinheiro

A Carta de Tancredo Neves, psicografada por Robson Pinheiro em agosto de 2015, permanece atual.




Amigos e companheiros espiritualistas da nação brasileira,


Nosso país passa por momentos incomuns em seu cenário político, econômico e social, mas, sobretudo, por uma crise sem precedentes de ordem espiritual, a qual se faz perceber nos desdobramentos do nosso momento político e na conjuntura socioeconômica na qual estamos todos inseridos e imersos.
Não podemos ignorar as palavras de Allan Kardec ao registrar que de ordinário, são eles [os espíritos] que vos dirigem. Sob esse pensamento, que traduz a realidade da vida nos bastidores de todas as ações humanas, sabemos que as dificuldades enfrentadas pelo povo brasileiro não são somente da parte daqueles que detêm o poder ou que o veem fugir de suas mãos. Nós enfrentamos, neste momento, um dos casos mais graves de obsessões complexas num âmbito generalizado em nossa nação. O país passa por uma crise espiritual na qual as forças da oposição ao progresso culminaram com a derrocada de valores e conquistas do povo brasileiro, afetando, em grande medida, as instituições públicas. Tudo isso levando-se em conta que, desde os bastidores da vida, espíritos representantes das sombras, das trevas mais ínferas, têm manipulado suas marionetes —políticos, homens públicos, empresários e homens do povo, desde as pessoas mais comuns até aquelas que em alguma grau detêm poder ou liderança sobre a multidão e, ainda, as que formam opinião são capazes de influenciar a situação reinante — a qual, a cada dia,agrava-se a passos claros.

Não podemos desconsiderar que a arma da qual se utilizam os representantes das trevas deste século é eficiente o bastante para minar as forças daqueles que querem acertar, pois formam quadrilhas, grupos de poder para os quais é mais importante sua manutenção no poder, a qualquer custo, do que o bem-estar do povo e das instituições que zelam por nosso futuro promissor como nação.
Não nos esqueçamos de que, por trás de homens, estão as hostes espirituais da maldade, que fazem de tudo para saquear os cofres públicos, solapar a economia, fraudar, corromper os valores éticos, assim roubando do povo brasileiro sono de sossego ou fé em dias melhores. A estratégia dessas entidades consiste, em larga medida, em promover a desgraça daqueles homens e daquelas instituições que ainda acreditam e representam o bem, a honestidade, a retidão de caráter e os valores que nos tornaram, ao longo dos séculos, a grande nação que somos. É a política das trevas, por meio de suas marionetes encarnadasdeturpar tanto o significado quanto a razão mesma da ética e de valores nobres e sadios mediante o assassinato da fé do povo, alardeando uma visão populista ao mesmo tempo que encobre sua verdadeira face de estandarte do mal e das forças da escuridão. 
Estamos em plena guerra espiritual, na qual o campo de batalhas está cada vez mais próximo de nós, de nossas famílias, de nossas vidas. Não mais podemos pensar num tempo de tranquilidade ou de aparente segurançapois ninguém está seguro diante dos lobos travestidos em peles de ovelhas com seus discursos preparados para enganar e levar a multidão a erro. Em troca, deixam as migalhas caírem de seus cofres particulares, ou dos cofres e das contas bilionárias das quadrilhas que tomaram de assalto e aparelharam o governo, o país e as instituições que deveriam nos representar.
Mas não estão sós esses homens que assim agem. Como marionetes das forças das trevas, eles representam um forte aparato de guerra que é utilizado a fim de retardar o progresso e fazer com que as instituições do bem sejam afetadas diretamente, pela força, arrogância, as mentiras e as pretensões das quais se valem para fazer afundar o barco da nação brasileira.
A política faliuos homens públicos falirammuitas empresas sucumbiram mediante o abuso daqueles que tentam dominar a qualquer custo, e, inclusive, muitos homens de bem, muitas pessoas de boa vontadeiludidasdeixaram-se levar pelas promessas vãs, pelas políticas públicas populistas, com seu idealismo patético a distribuir suas migalhas, que ainda hoje retêm a população mais sofrida na situação de dependência crônica dos programas forjados para iludi-la, visando à ignorância do povo acerca do que se comete nos bastidores. Misérias e bolsas oportunistas são oferecidas à gente pobre mas também aos ricos, enquanto lobos vorazes pilham a economia e buscam se manter disfarçados de ovelhas no comando de uma das maiores nações do planeta. 
Não nos enganemos, meus amigos, pois não estamos lutando contra a carne e o sangue”, mas, como disse o apóstolo Paulo, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século,contra as hostes espirituais da maldade. Em outras palavras, a guerra não é contra homens, apenas; com efeito, é de ordem espiritual. Nosso discurso não é meramente político, mas de convicção espiritual da realidade dos seres trevosos com os quais lidamos.Quem é incapaz de perceber a gravidade da hora, o estiramento das convicções e o assalto aos valores em pleno curso, deve-se indagar, honestamente, se sua visão já não está comprometida pelos feiticeiros da hipnose vigente, pelos artífices da derrocada da nação brasileira, dos dois lados da vida.
Por isso, hoje não nos resta uma alternativa plenamente confiável, embora vislumbremos a possibilidade de modificar esse panorama, dando um novo rumo ao nosso futuro. Se, por um lado, não se apresenta alguém que reúna condições genuínas e plenas de representar a nação e o povo brasileiro fazendo frente a esta marca da corrupção que avassala desde Brasília até a base mesma da sociedade — isto é, o povo comum, pelo menos nos resta a alternativa de optarmos por uma ética ou, quem sabe, pela possibilidade de mudar, uma vez que o horizonte não nos aponta um líder ou uma liderança isenta de chances de perpetuar o erroOu, mais modestamente: diante do quadro dramático em que se vê a nossa nação, errar menos já seria de muito bom grado diante do extremo a que chegaram os representantes eleitos democraticamente pelo nosso povo, iludido pelas promessas, as mentiras e as ideologias de um governo dos mais corruptos que a história do Brasil já conheceu. Diante de tamanha manipulação mental, hipnótica e sensorial empregada por aqueles que formaram a quadrilha que nos governa desde os bastidores do Palácio da Alvorada até os bastidores da vida, sem dúvida errar menos já significaria grande avanço.
Nosso momento é grave, não somente economicamente, mas espiritualmente falando. Sobretudo do ponto de vista espiritual, pois sabemoscom mínimo de perspicácia e observação, que forças ocultas estão em plena concentração na tentativa de afundar o barco da nação brasileira, sobre a qual já foi dito, um dia, que deveria ser o coração do mundo e pátria do Evangelho. 

Segundo podemos constatar, o coração está parando; está enfermo e precisando urgentemente de uma cirurgia moral, ética e espiritual. E é raro que um processo cirúrgico não cause apreensão e seja indolor
Em caráter emergencial, precisamos nos irmanar em oração, todos os que de alguma maneira querem o bem do povo brasileiro. Precisamos pedir a Jesus que tenha misericórdia dos filhos desta terra e das lideranças e dos representantes do povo, mas que também sustente os esforços daqueles poucos que resistem e querem acertar; dos que militam em defesa da ética, da justiça, do desmascaramento dos lobos que enganam e enganaram a multidão num momento frágil de sua fé no futuro e utilizaram do poder de barganha para comprar com promessas levianas aqueles que não souberam e ainda não sabem distinguir entre a ovelha e o lobo  este, bando que governa, distribuindo migalhas em troca de votos e popularidade. Quem sabe, clamar para que os cidadãos sejam capazes de discernir e identifiquequem deseja ajudar educando e objetiva, de fato, libertá-los da miséria, da servidão da consciência e da ignorância. Precisamos nos reunir em oração, mesmo aqueles que de alguma maneira ainda se deixam levar pelas promessas que já se mostraram vazias e pelo idealismo disseminado em nome desta política desumana, que com certeza não tem sua origem nos dirigentes espirituais da nação, mas nas hostes da maldade, nos representantes da escuridão que estão encastelados nos corações daqueles que, em troca do sofrimento do povo brasileiro, tentam dominar e perpetuar-se no poder a qualquer custo.
Nosso convite é para orarmos, juntarmos nossas energias e possibilidades espirituais, não somente vibrações, para que nos pronunciemos cada vez mais. Que tenhamos a coragem de sair de nossos lares, de ir às ruas, de nos manifestar pelo bem e pelo direito, pela vitória da ética e da dignidade. E não falo aqui a favor ou contra partidos políticos, mas a favor do bem, da justiça e das conquistas de nossa nação. 
Que possamos descruzar os braços, sair do comodismo diante dos acontecimentos, tentando de alguma maneira nos pronunciar a fim de não darmos ainda mais razão ao pensamento de que, se o bem não domina, é porque os bons são tímidos — ou fracos. Sem que se ergam os cristãos como dantes se ergueram perante as arbitrariedades dos ímpios, que culminaram nos circos romanos da Antiguidade; sem que nos mexamos e façamos a nossa parte — muito mais do que simplesmente rezarmos e pedirmos ajuda ao Alto, sabendo que todos somos a ajuda que o Alto envia para agir no momento de crise —; sem isso, se não agirmos e formos proativos, seremos apenas uma voz rouca queaos poucos, será silenciada em meio à multidão dos que sofrem e do poder dos marginais a serviço da escuridão. Seremos apenas miseráveis, escondidos em nossas casas de oração, batendo no peito a clamar socorroescondidos com medo de nos mostrar em nome da causa do bem pelqual todos deveríamos nos expor e mostrar que, juntos, podemos muito mais!

Não se acanhem, não se iludam. Estamos em plena guerra espiritual, e, numa guerra, onde estarão os representantes de um reino em tudo superior aos reinos falidos dos homens e dos representantes das sombras?
Oremos, sim, rezemos mais ainda, mas sobretudo nos posicionemos, em nossas redes sociais, em nosso círculo de ação, em nossas famílias, no trabalho e na sociedade, enquanto é tempo — antes que seja levantada a bandeira da escuridão substituia do bem no seio do Brasil. Esteja de que lado estiver, defenda você qualquer ideologia que defender, qualquer partido político ou religião, saiba que você não está fora dessa luta e, se não se posicionar urgentemente, será arrastado pelo caudal das lutas e provações que já se avizinha da gente brasileiraocasionado pela política desumana e sombria dos seres das trevas e de seus representantes políticos no mundo.
Relembrando o pensamento de Edgard Cayce, numa de suas profecias modernas: nenhuma instituição, nenhuma família, ninguém ficará isento de passar pelas lutas e pelas provações coletivas que se abaterão sobre a nação neste momento grave de provas a que serão submetidos o povo brasileiro e o mundo em geral. Portanto, em nome do bem, em nome da justiça, em nome da ética e da sobrevivência de nossa nação, dos valores morais e das conquistas sociaisem nome de Jesus, que representa a política divina do Reino, convocamos você a se pronunciar, a se mostrar, a mostrar a sua cara e sair do comodismo de sua poltrona; sair às ruas e gritar, falar, divulgar nas redes sociais que nós, os que acreditamos num mundo melhor, não compactuamos com a situação, a posição e as atitudes de franco desequilíbrio espiritual, social, político, tampouco com o desrespeito como vem sendo tratado o povo brasileiro nos últimos tempos. Precisamos formar um feixe de varas, estar juntos, embora não fundidos, massobretudo, precisamos nos unir no propósito de enfrentar as hostes da maldade instaladas em Brasília e nos bastiões do poder em todo o território brasileiro. A bandeira do bem e da justiça urge ser hasteada, e os bons, os que dizem representar o bem, precisam sair de seu ostracismo e mostrar que realmente representam uma política divina, e não a política humana marcada pela corrupção dos valores e da fé.

Robson Pinheiro pelo espírito Tancredo Neves, na companhia dos espíritos José do Patrocínio e Getúlio Vargas, em agosto de 2015.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Diversas faces da umbanda

ph: fb.com/bassafotofilme
“Enquanto Erasmino fugia da ajuda espiritual, os filhos de fé de Odete procuraram a tenda de umbanda indicada pela mãe. A princípio, quatro deles foram até o local para reconhecer o ambiente e pedir permissão aos dirigentes para realizarem uma pesquisa de campo.

— Claro que podem participar conosco, filhos — respondeu a coordenadora responsável à indagação dos filhos de fé enviados por Mãe Odete. — Aqui, somos abertos à participação de todos os interessados. Como vocês já sabem, a única coisa que pedimos é o respeito ao ambiente e aos nossos guias e orixás. No mais, não é preciso ensinar reza para padre — comentou D. Manuela, toda risonha com os visitantes.

— Agradecemos a simpatia e a permissão para que possamos participar, minha mãe — essa era a forma respeitosa de se dirigir à orientadora espiritual da tenda umbandista.

— Vocês chegaram num momento propício. Vamos nos reunir, justamente, agora, para uma aula sobre umbanda, que será ministrada por nós, os encarnados, e também contará com a participação dos espíritos — bom, pelo menos, assim esperamos! — caso eles queiram dar sua contribuição em nossos estudos.

— Então, podemos participar?

— Como não? São meus convidados. Venham, entrem em nosso salão.

— Sentimo-nos verdadeiramente honrados com tanta generosidade, Mãe Manuela.

Raphael, um dos filhos enviados por Odete, reparou na extrema simplicidade do ambiente. Não viu estátuas de santos, como no gongá de Odete. Também procurou símbolos e outros apetrechos de trabalho, como estava acostumado a ver na casa de caridade de onde vinha; mas nada. Ali, a decoração era mínima, singela. Compunham o altar, dispostos sobre uma toalha de linho alvíssimo e engomado, tão somente uma vela acesa, ladeada por dois jarros de flores, sintetizando tudo o que os olhos pudessem apreciar no ambiente. Além disso, um discreto aroma de rosas era percebido na atmosfera da tenda, da qual emanava candura e, ao mesmo tempo, certa solenidade; o salão inspirava respeito e reverência sem ser imponente, e era acolhedor. Viam-se várias pessoas sentadas, em oração, todas vestindo branco. Raphael olhou de maneira discreta para os outros três companheiros que vieram com ele. Todos notaram as discrepâncias marcantes, logo no início. Tudo era bastante diferente do que se observava na tenda onde atuavam. Sentaram-se. Logo após, um homem assumiu a frente e introduziu as atividades:

— Estamos aqui para nossa aula sobre a umbanda e seus mistérios. Recebemos, com o máximo carinho, nossos convidados e desejamos que se sintam bem e à vontade entre nós. Para começar, vamos dar a palavra ao nosso irmão de fé, Roberto Assis, que iniciará sua palavra hoje, pela primeira vez, em nossa tenda.

Após agradecer pela oportunidade e saudar a todos, Roberto, que teria apenas alguns minutos, iniciou sua fala:


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— Meus irmãos, caros visitantes, hoje quero abordar um tópico que costuma gerar desconforto em nosso meio umbandista. Refiro-me ao fator consenso entre os praticantes da nossa sagrada umbanda. É compreensível que uma religião que tem tantas faces, tantas formas de se apresentar ao público, ao mundo, encontre dificuldade ao estabelecer uma posição consensual sobre determinado ponto, sobretudo, se levarmos em conta a grande variedade de seus integrantes e adeptos. Digo mais: tenho observado, em minhas pesquisas, que nem mesmo os espíritos chegaram ao consenso sobre diversos pontos, uma vez que muita coisa depende da interpretação, do fator cultural e — por que não dizer? — até do nível de escolaridade de quem estuda, lê e interpreta as questões relativas à umbanda. É claro que não defendo que os títulos acadêmicos mundanos tornem alguém, automaticamente, mais capaz de entender os preceitos sagrados; muito pelo contrário, como, tantas vezes, nos ensinou Jesus. Mas ninguém há de acreditar que uma boa educação básica não desempenhe uma função essencial na compreensão da doutrina umbandista, e até mesmo da prática.

‘Acredito que, entre todos os segmentos filosóficos, religiosos ou de outra natureza qualquer, essa diversidade na maneira de ver as coisas e as variadas formas de interpretá-las seja algo muito comum. Por certo, não é somente na umbanda que isso ocorre. 


Vou dar como exemplo a questão relativa aos orixás cultuados em nossa sagrada umbanda. Em algumas vertentes, aceitam-se somente os sete orixás principais; os demais sequer são mencionados, embora sejam respeitados por diferentes segmentos umbandistas. Por outro lado, existem orixás habitualmente cultuados em barracões de candomblé e que são admitidos e reverenciados em numerosos templos de umbanda. Como exemplo, cito orixás como Oiá, Oxumarê, Nanã e até mesmo nosso pai Obaluaê, ou o velho Omulu. Nem todas as vertentes de umbanda orientam seus seguidores e médiuns a respeito deles, mas nem por isso podemos dizer que um ou outro lado estejam equivocados.

‘Outro caso que merece análise é o fato de médiuns fumarem e beberem enquanto estão incorporados. Há quem defenda que elementos como o fumo e o álcool são instrumentos de trabalho necessários, a fim de que os espíritos possam realizar sua tarefa com médiuns umbandistas. Entretanto, outra corrente, que ganha cada vez mais espaço entre nós, sustenta que nossos guias não precisam de elementos tão materiais assim para desempenhar suas atividades, seja de descarrego ou qualquer outra. Então, perguntamos: qual das duas posições está correta? Quem está com a razão?

‘De minha parte — eu, que sou um simples pesquisador — agradeço muito à Mãe Manuela, que nos dá oportunidade de discorrer sobre temas espinhosos sem nos obrigar a nos conformar com este ou aquele ponto de vista. Para mim, pessoalmente, encaro essa diversidade de opiniões como condutas claras que variam em função da necessidade do público, deste ou daquele terreiro, mas que variam, também, muito especialmente, de acordo com o dirigente material dos trabalhos. Ou seja, em minha opinião, os médiuns e dirigentes umbandistas imprimem em suas atividades forte componente pessoal, conforme sua formação sacerdotal e seus conceitos particulares acerca do que os próprios guias fazem. De tal modo que notamos, em diversos centros umbandistas, muitas características nem sempre advindas, necessariamente, da orientação espiritual, mas como produto do pensamento do dirigente material.’

— Mas isso não constitui perigo na condução dos trabalhos da umbanda, meu amigo? — indagou um dos presentes, nitidamente, interessado no assunto, uma vez que acompanhara outras palestras na casa, em dias anteriores. (…)”


Antes que os tambores toquem
Robson Pinheiro pelo espírito Ângelo Inácio
Páginas 219-225

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sexta-feira, 14 de setembro de 2018

O mal é sempre o mal

O mal…

Muitas vezes ele se mostra abertamente, conforme acreditado pela multidão, sem disfarces, sem procurar mistificar sua presença com aparências de santidade. Sua fealdade mostra-se em toda a sua grandeza.

Sem nenhum escrúpulo, em determinadas situações se apresenta como se algo ou alguém estivesse ameaçando sua “estabilidade política”. Mostra-se sem medo nem piedade, numa guerra declarada a qualquer coisa, ser ou situação que se afigure como elemento de progresso.

Em outras ocasiões ele se disfarça, pois precisa imiscuir-se em redutos contrários a seus propósitos. O mal se mascara ardilosamente e pouco a pouco penetra na mente, nos pensamentos, nas emoções dos representantes do progresso e das instituições que patrocinam a evolução do pensamento humano. Silenciosamente faz sua obra, como se fora um inseto imperceptível que vai corroendo certas ideias, basilares à política que lhe é oposta. Escondido sob um manto de aparente humildade, o mal vai se alastrando, tendo como armas as palavras suaves, sutis e os pensamentos dissimulados com o verniz da educação e conceitos distorcidos da verdade, da ética e da moral.

Alguns se encantam com tal artimanha, naturalmente encoberta a fim de produzir uma hipnose momentânea. Outros se assombram com sua desfaçatez e o requinte do disfarce apresentado, escondendo sua essência atrás de toda uma filosofia, aparentemente muito bem elaborada. Muitos se deixam conduzir por sua sagacidade e seus encantos, que sabem, como tentáculos tenebrosos, fixar-se nas mentes de quem se deixa seduzir por palavras, conceitos e vocabulários que escondem sua intimidade.



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Mas o mal é sempre o mal. Não importa que nome tenha ou como seja conhecido. Não há disfarce amplo o bastante para encobrir sua natureza destruidora e daninha, desde que haja interesse em conhecer a verdade. Não há encantos que obscureçam sua ação quando há sintonia com os propósitos elevados da vida.
Contudo, nenhum ser o intimida quando está determinado a agir e, como um verme, começa a corroer de dentro para fora, destruindo a imunidade espiritual de qualquer criatura.

Ele vem, de mansinho e lento. Manhoso, como uma célula cancerosa que se aloja no meio de outras sadias. Pouco a pouco corrói, irradia-se e despe-se assim de seus disfarces. Realiza gradativamente sua destruição — programada, organizada, demoníaca. Enfim, mostra-se pleno, vigoroso, insaciável. Seu magnetismo de terrível beleza engana e encanta a quem não lhe conhece as profundezas.

O mal…
Ele esconde-se sob o manto da escuridão — dos senhores da escuridão.

Senhores da escuridão

Robson Pinheiro pelo espírito Ângelo Inácio

Trilogia O Reino das Sombras, vol. 2Prefácio, páginas 13 a 15

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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Política e religião se misturam?

POLÍTICA E RELIGIÃO


Texto transcrito de vídeo transmitido ao vivo em fb.com/casadosespiritos

Olá, pessoal! Eu sou Leonardo Möller, editor da Casa dos Espíritos, e queria falar um pouquinho com vocês a respeito de política e religião, dessa baita controvérsia que a gente tem visto nos comentários [das redes sociais] desde que a gente lançou o livro O partido, lá em maio do ano passado, que é o primeiro volume da série A Política das Sombras. No segundo semestre, a gente lançou o livro A quadrilha: o Foro de São Paulo, que é o segundo volume, e agora, com o livro O golpe, esse assunto volta à tona mais uma vez. Então, é importante a gente esclarecer de novo e agora assim, por vídeo, aqui.

Queria dizer dois argumentos, já que a gente vai bater um papo rapidinho, para você pensar.

O primeiro deles é que, se a gente não quiser falar de política, só tem um jeito de dizer que a gente é cristão: deixar de sê-lo. Porque, se a gente for seguir Jesus… Jesus foi o cara que falou contra os políticos, os poderosos da sua época, contestou-os sem medo. Afinal, você acha que ele… Por que ele foi crucificado afinal? Por que eles queriam flagrá-lo? Por que armaram tudo aquilo? É verdade, alguém pode dizer, que os poderosos de então, do poder político, também eram os poderosos do poder religioso e que as coisas estavam fundidas naquela época da Judeia, apesar do dominador romano — que tinha feito uma aliança para administrar o poder político local, que, como eu disse, estava nas mãos dos escribas, dos fariseus, dos doutores da lei. Quem era aquela gente?

Eu gosto sempre de indicar um capítulo muito especial do Evangelho, que é dos meus prediletos, eu confesso, cito-o exaustivamente, que é Mateus 23. No Evangelho de Mateus — é o primeiro dos Evangelhos —, vai lá e veja o capítulo 23. Ele é, inteiro, de ponta a ponta, Jesus xingando os fariseus. E é xingando mesmo! São vários os versículos em que ele diz: “Escribas e fariseus hipócritas!”, “Sepulcros caiados!”, “Cegos condutores de cegos!”. Ele repete: “Condutores de cegos, como vocês não enxergam?”. E assim ele chama, diz as piores ofensas e faz as piores acusações: “Percorrem milhas para fazer um prosélito e depois fecham-lhe a porta aos céus”; “Transformam-no num filho do inferno pior do que vocês”. Coisas desse tipo. Esse é o Mestre! Esse é Jesus. Esse é o contestador que fala sem medo — e olha que foram três anos até ele ser flagrado.

Então, como é que a gente pode pensar em seguir esse homem se não quer aprender com ele essa coragem, essa possibilidade de dar a cara à tapa?

Esse é um argumento. O outro argumento é o seguinte: se nós que somos os religiosos, [aliás], uma expressão que tenho usado, gosto, me parece boa, se nós que somos os preocupados com o bem — não vamos dizer que somos bons, sabemos que não, estamos longe disso… —, se nós que estamos preocupados com o bem não pudermos falar de política, então como é que vai ser?

[Pensem sobre] quando Jesus disse que o templo estava entregue, tinham feito do templo um covil de ladrões… Eu pergunto: é ou não é uma estratégia das trevas induzir ou fomentar esse pensamento de que a gente não deveria, num ambiente religioso, falar sobre política, porque — olha só —, se as pessoas preocupadas com o bem não falarem sobre política, então conversará sobre política quem? Os outros? Aqueles que realmente querem fazer as maiores excrescências, aqueles que querem fazer corrupção, aqueles que querem usurpar do bem público, a sua função real, e transformar tudo em ganho pessoal, ganho do seu grupo, ganho da sua ideologia?

E aí nós, que somos preocupados com o bem, animados pelos valores cristãos, que são os melhores valores, que deram origem à nossa sociedade, devemos ficar calados diante disso? Essa é mesmo a proposta?

Eu ainda tenho um terceiro ponto, para fazer uma pergunta para você. Como é que assuntos seculares podem adentrar a casa espírita e, entretanto, nós não podemos nos valer da doutrina espírita, das ideias espíritas, mais do que isso, nos valer do conhecimento dos espíritos superiores para olhar sobre todas as questões, inclusive sobre a política?


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Esses dias aconteceu uma coisa interessante; fiquei observando que coisa interessante… — e aqui não vai nenhum juízo de valor, não entro no mérito do fato, mas preciso relatar. A União Espírita Mineira — a Casa dos Espíritos é aqui, em Belo Horizonte —, recentemente, agora pelo mês de agosto, está promovendo um evento cujo nome é “Homoafetividade”. Ou seja, ela está discutindo um assunto eminentemente secular sob o ponto de vista espírita e adotando, para isso — é preciso dizer! —, o jargão que está em voga nos movimentos LGBT.

Então, trazer assuntos seculares para dentro da casa espírita pode, mas nós usarmos o ponto de vista da religião, o ponto de vista da filosofia espírita — é claro que esse é outro aspecto, o fato de que o espiritismo transcende, em muito, [a ideia de ser] apenas, meramente, uma religião… —, a gente não pode usar os aspectos da filosofia espírita para olhar esse assunto? De onde veio essa censura? De onde veio esse pensamento de que tem algum assunto interditado para o conhecimento espírita?

Essa gente, eu acho mesmo, não conhece O livro dos espíritos. Não é possível! Pois lá está a base, não só a base do espiritismo, como é também aquele livro que condensa a filosofia espírita. E Kardec se interessa pelos assuntos os mais diversos. Prova disso, entre tantas outras que eu poderia dar — e aqui eu encerro meu argumento pensando nisso —, é que lá, entre os espíritos mencionados no texto chamado Prolegômenos — que é o prefácio de O livro dos espíritos —, naquela mensagem psicografada que compõe a segunda metade desse texto, estão lá as assinaturas dos espíritos que compõem a falange do espírito Verdade, embora nem todos estejam ali citados. Entre outros nomes, nós lemos os nomes de Sócrates e Platão. Então, esses espíritos fazem parte da falange do espírito Verdade, eles, que versaram tremendamente sobre política, mas [então] esse assunto fica de fora quando eles se interessam pela falange do espírito Verdade, quando eles passam a fazer parte dela? Como pode?


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Sabe o que eu penso, no fim das contas? Para um grande número de pessoas, política se resume à política partidária, que é o aspecto mais rasteiro, posso dizer, mais visível, que provoca mais, que suscita mais disputa de poder, mais paixões.

Mas não é disso, não é disso que o espiritismo fala. Mas fala de uma política! Qual é a relação que Jesus propõe que a gente tenha com as pessoas senão a política do “amai-vos uns aos outros”? Que é o Evangelho senão isso? São os espíritos quem dizem. Me parece que eles têm um bom argumento. O que é o Sermão da Montanha senão a plataforma política de Jesus resumida lá em Mateus, capítulo 5? “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados; bem-aventurados aqueles que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados; bem-aventurados os mansos e pacificadores, porque herdarão a Terra”. Isso é ou não é uma plataforma política?

Da próxima vez que alguém vier com esse papo… (Talvez seja, sei lá — se Chico dizia que espiritismo é religião de católico fracassado, Chico Xavier dizia… —, talvez seja trauma que a pessoa carrega [em virtude] de bobagens que fez no ambiente eclesiástico no que tange ao poder temporal.) Da próxima vez que alguém vier com essa ideia, cite só uma coisa se ficar difícil se lembrar de todo esse argumento: Mateus 23. E veja lá se nós podemos seguir este homem, nos dizer seguidores, nos pretender seguidores de Jesus sem nos posicionar, sem realizar a contestação que ele realiza e nos posicionar frente aos descalabros que estão aí no mundo…! É a nossa obrigação como cristãos.

É por isso que eu convido você a conhecer melhor os livros da série A Política das Sombras, que revela os bastidores do que está acontecendo no Brasil, especialmente neste momento, desde o ano passado. O factual desses livros é impressionante. Agora, por exemplo, em O golpe, se veem lá no último capítulo, aliás, no último texto, que é o epílogo, acontecimentos narrando os bastidores espirituais do que aconteceu na cúpula do Mercosul, que se deu agora, em julho, lá em Mendoza, na Argentina. Para se ter uma ideia da atualidade desses assuntos…

Como é que vamos nos privar do alerta que os espíritos estão dando sobre o que se passa, sobre a disputa de poder que se passa na dimensão extrafísica? Nós não estamos diante de uma guerra entre partidos, entre correntes ideológicas meramente terrenas. Nós estamos numa guerra entre a política do Cordeiro e a política das sombras, que é delineada por gente muito mais “sábia” do que esses personagens que aí estão nas páginas políticas e policiais dos jornais todos os dias; são magos negros, espectros e outros espíritos mais interessados no poder, no caos deste mundo, deste país, o Brasil, em especial. Como é que a gente vai deixar de conhecer isso tudo? O golpe é o terceiro volume da série A Política das Sombras.

ph: http://fb.com/bassafotofilme